quinta-feira, 16 de junho de 2016

Propagação da devoção a São Francisco Xavier

A devoção a S.Francisco Xavier começou poucos anos depois de sua morte.

Aspectos do Culto de S. Francisco Xavier no Oriente 
         Entre os primeiros e principais fomentadores do seu culto encontravam-se várias personalidades orientais. Destaca-se o nobre japonês Õtomo Yoshige do Reino do Bungo, que após ter sido baptizado com o nome de Francisco em 1578 devido à sua devoção pelo Santo, pediu fervorosamente a Alessandro Valignano, acompanhante da célebre embaixada dos quatro japoneses à Europa em 1582, que o jesuíta italiano conseguisse a beatificação de Francisco Xavier junto do Papa6 .
          Lemos igualmente na Carta Anual para a Província de Goa (1647) que nesse ano tinha sido esculpida uma estátua de Francisco Xavier por encomenda dos cristãos locais7 . O culto do Apóstolo do Oriente afirmou-se rapidamente em Goa como em todas as missões da Companhia de Jesus no Oriente, em especial nas zonas por onde o Santo passou.
         A bula de canonização de Francisco Xavier permitia aos jesuítas a celebração de missas em igrejas da Companhia nas Índias Orientais e ainda no Castelo de Javier. Todavia, esta determinação apenas serviu para legitimar uma prática anterior. No caso do Oriente, sabemos que eram celebradas missas em honra de Francisco Xavier nos primeiros anos do séc. XVII.
        Um outro inequívoco sinal da popularidade do culto de Xavier no Oriente foi a dedicação de inúmeras igrejas, capelas e confrarias a Francisco Xavier no Oriente muito antes da sua beatificação8 . Isto é, em 1603 o Geral Cláudio Acquaviva autorizou a construção da primeira igreja dedicada a São Francisco Xavier em Cotar, Cabo Comorim (actual Estado de Madya Pradesh, Sul da Índia)9 . Esta igreja tornou-se rapidamente um importante local de peregrinação, devido ao facto de aí terem ocorrido vários milagres. Ou seja, no mesmo ano uma cruz erguida em honra de Xavier verteu sangue, após a ressurreição milagrosa duma menina. Este milagre foi o primeiro duma série prodigiosa de milagres que teriam ocorrido nesta igreja. O cronista Sebastião Gonçalves atribuiu nada menos do que oito milagres entre 1603 e 1610 à imagem de S. Francisco Xavier aí guardada10. De igual modo, várias testemunhas ouvidas durante os processos de 1616-1617 afirmaram o carácter taumatúrgico desta imagem.
NOTAS:
6 Georg SCHURHAMMER SJ, Francisco Xaverius SJ (1506-1552), in Gesammelte Studien, op. cit., 1963, II, 22-24 e Georg SCHURHAMMER SJ, Ein Fürstlicher Gönner des Hl. Franz Xaver, in Gesammelte Studien, op. cit., IV, 332-333. 7 Carta Anua da Provincia de Goa 1647, Archivum Romanum Societatis Iesu, Goa 34.I, Goana Historia, fol. 199v. 8 Uma das confrarias de S. Francisco Xavier com mais membros era a Confraria de Nagasáqui que em 1624 contava dois mil confrades. (Georg SCHURHAMMER SJ, Festas de Goa no ano 1624, in Gesammelte Studien, op. cit., IV, 493). 9 Maria Cristina OSSWALD, Cultos y iconografias jesuíticas en Goa durante los siglos XVI y XVII: El culto y iconografia de San Francisco Javier, in catálogo da exposição San Francisco en las artes; el poder de la imagen, Pamplona, Gobierno de Navarra, Abril 2006, 248 e 250. S. Francisco Xavier no Oriente – Aspectos de devoção e iconografia