segunda-feira, 27 de junho de 2016

Relação de Xavier com as seitas idólatras (Hindus e muçulmanos)

Brâmanes: classe idólatra - 
CARTA DE 12/01/1544, EM COCHIM NA ÍNDIA

"Entre os pagãos deste país [Índia], existe uma classe de homens que se denominam brâames ou brâamanes, eles guardam os templos e servem neles. É uma raça perversa e má, que me faz dizer muitas vezes, dirigindo-me a Deus: Senhor, livrai-me desta carta ímpia, desses homens traidores e perversos.
Toda a sua ciência e habilidade consiste em envolver nas suas ciladas a gente sincera e ignorante. Em nome dos seus deuses fazem levar para os seus templos tudo quanto desejam, e eles, suas mulheres e seus filhos vivem assim a expensas do povo, a quem persuadem que as suas estátuas comem e bebem como os mortais.
Além disto os pobres ignorantes não se atrevem a tomar as suas refeições antes de oferecer ao ídolo uma moeda de dinheiro. Os brâmanes não cessam de aterrar os crédulos, ameaçando-os com toda a espécie de males, se falam à generosidade para com os deuses; e o povo, oprimido pelo terror, apressa-se em satisfazer a cobiça desses impostores.
Os brâmanes desta Costa. estão furiosos contra mim, porque tenho manifestado e provado as suas torpezas. Quando estão a sós comigo, confessam-me, sem escrúpulo, que não vivem senão das suas mentiras; concordam que são ignorantes e dizem-me que eu somente sei mais do que todos eles juntos. Muitas vezes me enviam presentes que eu recuso sempre, a seu pesar, porque eles desejam impor-me obrigações para me orçar ao silêncio. Esforçam-se em lisonjear-me e dizem-me muitas vezes:
Sabemos perfeitamente que não há mais que um Deus, e nós lhe rogaremos por ti.
A todas as suas lisonjas eu respondo como convém, e continuo a trabalhar em desvendar os olhos ao povo.
Uma grande parte daqueles pobres ignorantes recebeu já o batismo mas muitos resistem ainda pelo temor que lhes inspiram os brâmanes.
Desde que estou nestas terras não tenho podido converter mais do que um brâmane, mancebo bastante novo que ensina às crianças os primeiros elementos da religião cristã.

Orientação aos Brâmanes - Quando percorro as povoações dos neófitos [recém convertidos], passo de ordinário por entre os pagodes que aqueles impostores habitam. Há pouco tive a idéia de entrar em um daqueles templos, onde duzentos brâmanes se achavam reunidos. Muitos saíram ao meu encontro, e depois da troca de algumas palavras indiferentes e de cumprimentos perguntei-lhes a que preceitos os seus deuses ligam a felicidade futura.
Travou-se imediatamente entre eles uma discussão tão acalorada como prolongada para resolverem o que me responderiam; finalmente foi concedida a palavra ao mais idoso.
O velho octogenário pergunta-me então, por sua vez; o que nos prescreve o Deus dos cristãos. Conhecendo eu para onde se dirigia o seu ardil respondi-lhe que não o satisfaria enquanto não respondesse à minha questão. Forçado a descobrir-me a sua ignorância, disse-me que os deuses não exigiam mais do que duas coisas: a primeira não matar as vacas, cuja forma eles tomam; a segunda fazer bem aos brâmanes, que são os seus servos e seus favoritos.
Aquela resposta penalizou-me profundamente! Experimentei no fundo da minha alma uma pungente dor, vendo até que ponto o demônio cega os homens! Pedi então aos brâmanes que me ouvissem, e recitei em voz alta o Símbolo dos Apóstolos e os Mandamentos de Deus. Depois expliquei-lhes em poucas palavras o paraíso, o inferno e o juízo final. Disse-lhes quais seriam os que gozarão da bem-aventurança eterna, e os que serão votados aos suplícios que terão a duração da eternidade, à intensidade do fogo sem fim.
A estas últimas palavras, todos eles se levantaram e todos em chusma me vieram abraçar, exclamando que o Deus dos cristãos é o único Deus verdadeiro, e que as suas leis estão em perfeita harmonia com a razão.
Perguntaram-me se as almas dos homens morriam com o corpo, assim como as dos animais.
Naquele momento Deus me sugeriu um raciocínio para lhes responder tão à medida dos seus desejos e inteligência, que ficaram todos convencidos da imortalidade da alma. Os argumentos pelos quais se busca convencer os ignorantes, não devem ter nunca a sublimidade dos que os nossos doutores empregam nos seus livros; é preciso, antes de tudo, avaliar a capacidade intelectual dessas pobres inteligências.
Os brâmanes ainda me perguntaram, como era que acontecia, que no sono, nós víamos pais e amigos, e nos comunicávamos com eles, - o que, meus amados irmãos me acontece muitas vezes para convosco-; - se Deus é branco ou negro; porque os Índios, que geralmente são negros, atribuem aquela cor às suas divindades. Os seus ídolos pintados de negro e untados dum óleo infecto, têm um aspecto hediondo e repugnante!
Depois de haver satisfeito a todas as suas instâncias, chamei-os a abraçar uma religião que eles próprios reconheciam ser a única verdadeira. A isto me opuseram os frívolos pretextos de que muitos cristãos temem uma mudança de vida; que isto daria que falar e eles perderiam o único recurso que lhes dá com que viver.

Seita dos brâmanes: Em toda a Costa não encontrei senão um brâmane com alguma instrução e que se diz ter sido discípulo dum nobre e célebre colégio. Procurei vê-lo em particular e ele se prestou da melhor vontade, e sobre as questões e perguntas que lhe dirigi, me respondeu que eles estavam todos comprometidos por um juramento e não podiam revelar nada das suas doutrinas; mas, que por amizade e como exceção para comigo, me falaria abertamente.
Fiquei assim sabendo que o primeiro dos seus mistérios é que não existe senão um só Deus, criador do céu e da terra, a quem somente devem um culto, e que os seus ídolos são só as imagens dos demônios. Possuem monumentos que olham como livros sagrados, e que contêm as leis que eles crêem divinas. Para as ensinarem, servem-se duma língua tão pouco vulgarizada como é o latim entre nós.
O meu brâmane desenvolveu-me também em seguida os seus preceitos divinos, que não vale a pena repetir-vos. Observam e guardam o sétimo dia, recitando nesse dia a seguinte súplica, que repetem por várias vezes: Deus, eu te venero, eu imploro o teu socorro para sempre.
Em virtude do seu juramento recitam esta oração em voz baixa para que ninguém a possa ouvir. O seu livro contém uma profecia anunciando que um dia todos os povos da terra professarão uma única e mesma religião.
O mesmo brâmane me pediu que lhe explicasse também os preceitos do Cristianismo, prometendo-me guardar o mais absoluto segredo. Respondi que nada lhe diria, se ele me não prometesse o contrário, de publicar, por toda a parte e em alta voz o que soubesse da nossa religião. Com a sua promessa, lhe expliquei as seguintes palavras do divino Salvador, e que é a essência do Cristianismo: Aquele que crer e que tiver sido baptizado será salvo. Dei-lhe esta máxima e o Símbolo dos Apóstolos com um extenso comentário; ajuntei o Decálogo e fiz-lhe ver a relação que existe entre o dogma e a moral.
Um dia veio ele procurar-me; disse-me que tinha sonhado que era já cristão, que se achava associado aos meus trabalhos e que experimentara nisto a maior alegria.

Rogou-me em seguida que o admitisse secretamente nos nossos mistérios; mas como esta condição era ilícita, não concedi o batismo. Estou convencido que Deus lhe concederá algum dia a graça de o fazer cristão. Recomendei-lhe que ensinasse aos inocentes e aos ignorantes que não há mais que um Deus, criador do céu e da terra, e que reina nos céus. Este homem seria já cristão se não se visse retido pelo temor de ser perseguido pelos demônios, faltando ao seu juramento". 

MUÇULMANOS



São Francisco Xavier sobre os muçulmanos: peste grosseira e escravizadora que vive na ignorância de seus dogmas

São Francisco Xavier, igreja do Gesù, Roma
São Francisco Xavier, igreja do Gesù, Roma




Excerto de carta de São Francisco Xavier SJ, aos padres e irmãos da Companhia de Jesus em Roma.

 Ela foi escrita em Amboine (também Amboina ou Ambon), nas Ilhas Molucas, no dia 10 de maio de 1576.

A Carta é a nº 58 do epistolário do apóstolo da Índia, Japão e China.

As Ilhas Molucas hoje fazem parte da Indonésia.


9. Sobre as Molucas, é um arquipélago considerável, quer dizer, um país constituído por um número infinito de pequenas ilhas; mas não é certo que elas não se liguem ao continene por algum lado.

Todas essas ilhas são muito povoadas. Seria fácil reuni-las sob o império da Cruz, se houvesse misionários e se nossa Sociedade pudesse instalar uma casa.

É por isso que eu consagraria todos meus esforços para obter uma fundação nesta extremidade do mundo; eu vejo desde já a perspectiva da expansão de suas conquistas.

10. Em Amboine, de onde vos escrevo,os pagãos são bem mais numerosos que os maometanos e têm horror deles, porque os obrigam a usar o turbante, ou os reduzem à escravidão. 

Pois a maioria dos idólatras sente um horror igual pelo nome de Maomé e da escravidão; e se tivessem missionários, eles entrariam sem esforço no rebanho de Jesus Cristo, cuja doutrina lhes causa infinitamente menos repugnância que a do pretenso profeta. . .

Há setenta anos que essa peste maometana veio infeccionar esta ilha; antes, todo o país era pagão. É de Meca, cidade da Arábia onde se conserva a execrável carcaça de Maomé, que saíram esses cádis ou sacerdotes muçulmanos, que vieram aportar nestas regiões sua infame doutrina e perverter a multidão. 

Esses sarracenos, conquistadores sobre as ruínas da idolatria, são grosseiros, vivem numa ignorância completa dos dogmas do islamismo, do qual só fazem uma profissão exterior; é com base na própria ignorância deles que eu deposito minhas esperanças de atraí-los ao rebanho da Igreja.

11. Das demais coisas, eu vos daria maiores detalhes, para que, participando de minha preocupação, vós concebais, do mesmo modo que eu, toda a tristeza que dá a um cristão a perda diária de tantas almas.

Ah! que aqueles que aspiram a vir em nosso socorro não hesitem e não duvidem, ainda que não sejam profundamente versados nas belas letras e nas belas artes!

Eles saberão que já estão suficientemente penetrados delas vindo aqui pela causa de Jesus Cristo, pois só terão que tratar com homens pouco instruídos, para os quais é inútil fazer uma demonstração de ciência e espírito.

Se cada ano este país visse chegarsomente doze homens, o islamismo seria destruído dos pés à cabeça, e a Cruz reinaria nestas regiões; crimes abomináveis dos quais a ignorância é a única causa não sujariam mais esta nação; não se veria mais entre os habitantes desta ilha crueldades, barbáries, perfídias de arrepiar. (…)

(Apud “Cartas de S. Francisco Xavier, Apóstolo das Índias e do Japão, traduzidas da edição latina de Bolonha de 1795” par A.M.F***, Editor T. I, Paris-Lyon, 1828, Carta LVIII, p. 234 e ss.)
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