quinta-feira, 30 de junho de 2016

Dramatização da conversão de Xavier

A CONVERSÃO DE SÃO FRANCISCO XAVIER POR SANTO INÁCIO DE LOYOLA

Narrador: Os progressos de Xavier nos estudos e no mundo lisonjeavam a sua vaidade a ponto de o distancia-lo das coisas de Deus.
N: Num dia, Inácio depois de lhe ter falado por longo tempo sobre as vaidades do mundo, com tão mau resultado como sempre, terminou com as mesmas palavras celestes:

Inácio: - De que serve ao homem ganhar todo o universo, se vier a perder a sua alma? - Vós o compreendereis um dia, Francisco.

Xavier: -  e De que serve ao homem estar a pregar todo o dia e perder o seu tempo? (tom de mofa)

Inácio: - Cumpre com o seu dever, Francisco.

N: Francisco continuou sem dar atenção às conversas de Inácio, seu colega de quarto na universidade de Paris. Inácio não desiste e em tudo quer servir a Francisco

(CHEGANDO) Miguel: - Francisco, estava te procurando, vamos a Festa, não se lembra?
 - Inacio, vamos também.

Inacio: Oh, não tenho alguns afazeres agora a noite.
(SAEM E DIZ)
Xavier: Ele nunca perde a missa, todos os dias esta lá.
(ENTRA RÁPIDAO O MENSAGEIRO) - Francisco, tenho noticias. Seus pais...
(XAVIER INTERROMPE E OLHANDO PRA TRAZ DIZ)
Xavier: há, meu amigo, já sei, deixe o dinheiro da mesada que meus pais mandaram na minha cama (E SAE)
Mensageiro: não era isso
Inacio: o que foi então?
Mensageiro: é que os pais dele mandou dizer que não tem mais como pagar os estudos dele aqui.
Inacio: deixe que eu resolvo isso!

N: Inácio, então, como fazia todas as noites, após longo dia de estudos, saiu para trabalhar num moinho. Trabalho pesado, mas que, podia pagar seu estudos.
(INACIO ENTRA COM UMA MOCHILA DE DINHEIRO)
N: Bem, ao fim da noite Inacio chega do trabalho com seu pagamento e desta vez,
Vendo que seu colega de quarto não tinha mais recursos, resolve dar do fruto de seu suor, aquela quantia para Xavier se manter, sem avisar-lhe da real situação de seus pais.
(INACIO COLOCA A MOCHILA NA CAMA DE XAVIER E VAI PARA SUA CAMA E AJOELHA-SE REZANDO)
(DEPOIS DISSO XAVIER CHEGA, SENTA NA CAMA, OLHA A BOLSA E DIZ)
Xavier: Que bom, que meu mensageiro deixou aqui o dinheiro que minha mae mandou!
O ultimo que tinha acabei de gastar.
(olhando para Inacio diz)
Xavier: Inacio, por que não se diverte? Foi a missa e ainda ta ai ajoelhado
(Inacio levanta)
Inacio: caro amigo, “De que serve ao homem ganhar todo o universo, se vier a perder a sua alma?” - Vós o compreendereis um dia, Francisco
Xavier: De novo com essas conversas?
Inácio (aproximando afetuosamente de Xavier): - Francisco, o vosso coração é muito bom... é em extremo sensível, muito nobre, muito grande, muito generoso para se prender à terra! Não foi feito para este mundo!
N: E ele nada mais dizia. Xavier já percebia que  todas as suas ambições, por mais grandiosas que fosse, não o completava, e mesmo sem assumir, já refletia que Inacio, mesmo sem as glorias do mundo estava sempre a acolhe-lo afetuosamente e com rosto sempre alegre, apesar da sua frágil saúde e trabalho ardoroso.
Inacio: amanha mesmo me dirás “De que serve ao homem ganhar todo o universo, se vier a perder a sua alma?
Xavier: não deixarei para amanhã, Inacio. Reconheço que você tem razão.
Mas entenda que não posso abandonar tudo para viver um mundo de ideias tão estreitas.
Inacio: Estreitas, Francisco. Elas dizem respeito a este mundo e a vida eterna que há por vir, e chama isso de estreitas. Me diga, De que serve ao homem ter riquezas, fama, poder, se vier a perder a sua alma? Isto sim, é que é ideias estreitas que acabam com a morte.
Xavier: ah Inacio, veja como anda, pobre, todo maltrapilho, nunca poderei concordar com esse tipo de vida. Além disso, você sabe que na Espanha me espera o trono no Reino de Navarra.

N: Os dias passam... Francisco descobre que seus pais não mandavam, a algum tempo, a sua mesada e sabe que é Inacio, com trabulhos pesados, que o mantem nos estudos, mas de forma secreta. Xavier, então, pôde estudar melhor as perfeições de Inácio, e quanto mais o admirava, mais se arrependia da injustiça das zombarias que lhe dirigira tão inconsideradamente, tornou-se amável e atencioso para com ele, estimava-o verdadeiramente, mas não passava além. Inácio não conseguia, portanto, o que mais ambicionava, mas não desiste. Percebe que Francisco estar inquieto.

Inacio: o que lhe atormenta Francisco? Parece triste.
Xavier: é que me arrependo de vos ter conhecido e apreciado tão tarde, me arrependo das zombarias e injustiças que fiz contra ti. Mas não me vejo vivendo desse jeito.
Inácio: - A vossa ambição é nobre, eu não a contesto; mas a que se dirige para o Céu, para a eternidade, não a é ainda mais? é isto digno duma alma como a vossa?

Inácio: - Deus vos pede que façais por Ele todo o sacrifício desde já.

N: Falando-lhe deste modo, Inácio aproximou-se do seu jovem amigo e tomou-lhe a mão que sentiu estremecer entre as suas, adivinhando a luta que se travava naquele coração tão ardente de 27 anos. Francisco não respondeu.
Inácio: - O vosso silêncio responde por vós;


N: Francisco converteu-se à gloria de Deus, não questionava mais. Então, Inácio levantou-se, deu alguns passos pelo quarto, e depois parando, ficou a contemplar o seu jovem amigo que parecia absorvido nas suas reflexões. Não tardou, porém, muito que os seus olhares se encontrassem. Francisco tinha os olhos cheios de lágrimas. Inácio aproximou-se então dele e abriu-Lhe os braços, aos quais Xavier se deixou atrair, entregando-se completamente comovido... O homem do mundo, que pouco antes se confessara vencido, rendia-se agora por completo. Dias depois, Francisco declarava-se abertamente como um dos discípulos do seu caro mestre na vida espiritual. Podia, finalmente, entregar a Deus e entregar-lhe toda inteira aquela formosa alma que conhecia ser predestinada a coisas muito grandes, e que pelos desígnios da Providência, devia ir, mais tarde, fundar o reino de Jesus Cristo no meio das nações pagãs da India, Malásia, Indonésia e Japão, onde percorreu imensas distancias, vindo a morrer desprovido de tudo numa ilha da China em 03 de dezembro de 1552.