quarta-feira, 27 de julho de 2016

A preferência de Xavier em evangelizar as crianças

Em sua Missão Pe. Francisco Xavier não queria que nenhuma pessoa ficasse sem conhecer o amor de Deus e para isso pediu ajuda às crianças. Assim ele escreve: "A cada dia crescia as pessoas que tinham desejo de Deus e eu tinha todo o interesse em satisfazer toda aquela pobre gente, com receio que uma recusa enfraquecesse a sua confiança nos socorros da religião, tomei o partido de enviar as crianças para os diferentes bairros, para onde era chamado". As crianças partiam para todos os cantos, incumbidas por Francisco Xavier de levar uma oração impressa, de tocar o doente com o rosário, ou de aspergir água benta sobre os doentes. Eles voltaram felizes batendo palmas porque haviam sido pequenos apóstolos de Jesus.

Viagem em alto-mar de Portugal a India
Recriminação pela morte de uma criança sem catequese - Deu-se um dia um movimento extraordinário a bordo da capitânia. Acabava de morrer repentinamente uma criança de oito a dez anos, e todos se admiravam daquela morte tão rápida, procurando averiguar qual poderia ter sido a causa.
- Ele assistia ao catecismo com os outros? perguntou o Padre Francisco
- Não, meu Padre; não assistiu nem uma só vez, lhe responderam.
No mesmo instante se notou no semblante, sempre alegre e risonho do admirável Santo, uma impressão de tristeza que oprimiu todos os corações
- Pareceis experimentar uma viva aflição, por esta morte, meu caro Padre, disse-lhe o vice-rei; não foi devido a falta vossa que o menino deixou de receber a instrução que dáveis, aos outros.
- Se eu o tivesse sabido, respondeu tristemente o Santo, teria seguramente feito com que ele também a recebesse, senhor.
- Então não vos aflijais, meu Padre; não tínheis conhecimento disso, e portanto, não podeis ter remorsos.
- Recrimino-me pela falta de não ter sabido! Deveria ter procurado saber que uma das crianças embarcadas no mesmo navio que eu, não recebia instrução.
Este zelo do nosso Santo para com todas as almas que o cercavam, operou bem depressa uma maravilhosa transformação nos hábitos dos marinheiros.

Na índia:
As crianças corriam a cercar o Santo Padre, logo que ouvissem a campainha; beijavam-lhe as mãos, testemunhavam-lhe as mais ternas e afetuosas carícias, e o seguiam à medida que ele ia passando por suas casas, de modo que os primeiros que a ele se juntavam acompanhavam-no a dar a volta à cidade, e assim chegava à igreja escoltada por alguns centos de crianças.

Era belo, era comovedor ver-se aquele jovem Padre assim cercado daquelas inocentes crianças que lhe tributavam tão grande amor como natural veneração. Todas elas recebiam a instrução com igual vontade e a repetiam a seus pais. Iam até fazer-lhes observar quanto o seu procedimento estava em oposição com os preceitos da religião, o que ocasionava sérias reflexões aos pais.
Quando chegavam à necessidade de fazer respeitar a autoridade paternal, sentiam a importância de não dar lugar às insubordinações dos filhos, pelos exemplos contrários às lições que lhes faziam receber. A necessidade e mesmo obrigação de manter os filhos nos limites do dever, levou os pais a cumprirem eles próprios, os seus e a correrem para junto do santo apóstolo, que lhes administrou instrução especial e onde os pobres pecadores se desfaziam em lágrimas.


Carta 19, a Inacio de Loyola, Tuticorim 28/10/1542
Situação dos cristãos na Costa da Pescaria: batismo de crianças e catequese de jovens
2. Viemos por lugares de cristãos5 que, agora haverá oito anos, se fizeram cristãos6. Nestes lugares, não habitam portugueses, por ser a terra muito estéril, em extremo, e paupérrima. Os cristãos destes lugares, por não haver quem os ensine na nossa fé, não sabem mais dela que dizer que são cristãos. Não têm quem lhes diga Missa7, nem menos quem lhes ensine o Credo, Pai-nosso, Ave-Maria, nem os Mandamentos. Nestes lugares, quando chegava8, batizava todas as crianças que não estavam baptizadas. De maneira que batizei uma grande multidão de crianças «ignorantes da diferença que há entre es­querda e direita9». Quando chegava aos lugares, não me deixavam, as crianças, nem rezar o meu Ofício, nem comer, nem dormir, sem que lhes ensinasse algumas orações. Então comecei a perceber «porque é de tais o reino dos céus10». Como tão santa petição não podia, senão impiamente, negá-la, começando pela confissão do Pai, Filho e Es­pírito Santo, pelo Credo, Pai-nosso, Ave-Maria, assim as ensinava. Conheci nelas grandes engenhos. Se houvesse quem as ensinasse na santa fé, tenho por muito certo que seriam bons cristãos.
Envia as crianças para visitar doentes
[*Ordenação das virtudes miraculosas para os jovens exercerem aos necessitados - Os milagres acompanhavam por toda a parte as pregações de Xavier. Vimos, na caria precedente, que de vários pontos opostos e afastados concorria muita gente a pedir-lhe para recitar o Evangelho aos doentes, então em grande número; que os doentes eram de ordinário curados, e que com o fim de satisfazer a todos ao mesmo tempo, mandava as crianças para substituí-lo.
Mas o que o Santo não diz, é que ele dava a essas crianças uma medalha, um rosário, uma imagem ou qualquer outro objecto de devoção, que trazia consigo, ou que havia tocado, o que era bastante para lhe comunicar uma virtude miraculosa...
Um dia vieram dizer-lhe de Manapar que um homem, dos mais importantes do país, estava possuído do demônio, e lhe pediam que viesse livrá-lo. O apóstolo, cercado naquele momento duma imensa multidão que instruía, chama um jovem, entrega-lhe um crucifixo que trazia sempre sobre o peito, e lhe ordena que vá sem receio pôr em fuga o demônio:
- "Não volteis sem que o tenhais expulsado vergonhosamente! disse ele ao rapaz".
À chegada do pequeno mensageiro, o possesso faz ouvir os mais medonhos uivos; os seus membros convulsos fazem horror de ver. O rapaz não se assusta: canta as orações que o Santo Padre lhe havia ensinado, ordena ao demônio que se retire e ao doente que beije o crucifixo do Santo Padre; e o demônio obedece e abandona a sua vítima.

Carta 20, aos companheiros de Roma,  de Cochin 15/01/1544
Assiduidade das crianças à catequese e desprezo a que votam os ídolos
5. Os jovens, espero em Deus Nosso Senhor que hão-de ser me­lhores homens que seus pais, porque mostram muito amor e von­tade à nossa Lei, e de saber as orações e ensiná-las. Aborrecem-lhes muito as idolatrias dos gentios, a tal ponto que muitas vezes lutam com os gentios e repreendem os seus pais e mães quando os vêem idolatrar, e acusam-nos, de maneira que mo vêm dizer. Quando me avisam de algumas idolatrias, que se fazem fora dos lugares, junto todos os jovens do lugar e vou com eles aonde fizeram os ídolos; e são mais as desonras que o diabo recebe dos jovens que levo, que as honras que seus pais e parentes lhes dão na altura em que os fazem e adoram. Porque tomam os meninos os ídolos e os desfazem em pedaços tão miúdos como cinza9; depois, cospem neles e pisam-nos com os pés; e, finalmente, outras coisas que, embora não pareça bem nomeá-las por seus nomes, é honra dos jovens fazê-las a quem tem tanto atrevimento de fazer-se adorar de seus pais. Estive numa gran­de povoação de cristãos (*Tuticorim) traduzindo as orações da nossa língua para a sua e ensinando-lhas quatro meses.

9 Estes ídolos descreve-os pormenorizadamente Manuel de Moraes, S.I. em 1547: «Seus santos a quem adoram e têm na sua igreja são cavalos de barro, e homens de pedra, e figuras de cobras de pedra, pavões, gralhas; e também ado­ram a montes de pedra e barro e areia que jazem pelos caminhos» (Doc. Indica I 245-246).

Batiza as crianças que nascem, catequiza jovens e adultos, envia as crianças da catequese a rezar os evangelhos sobre os enfermos em suas casas
6. Neste tempo, eram tantos os que me vinham procurar, para que fosse a suas casas rezar algumas orações sobre os enfermos, e outros que com as suas doenças vinham ter comigo que, só em rezar evangelhos sem ter outra ocupação, e em ensinar os jovens, batizar, traduzir orações, satisfazer a perguntas, não me deixavam; e, além disso, em enterrar os que morriam. Era de tal maneira que, em corresponder à devoção dos que me levavam [a suas casas] ou vinham procurar-me, tinha ocupações demasiadas. Mas, para que não perdessem a fé, que à nossa religião e lei cristã tinham, não es­tava em meu poder negar tão santa procura. E, como a coisa ia em tão grande crescimento que a todos não podia atender, nem evitar paixões sobre a qual casa primeiro havia de ir, vista a devoção da gente, ordenei maneira que a todos pudesse satisfazer: mandava aos jovens, que sabiam as orações, que fossem [eles] às casas dos doentes, e que juntassem todos os de casa e vizinhos, e que dissessem [com] todos o Credo muitas vezes, dizendo ao doente que acreditasse e que sararia; e, depois, as outras orações. Desta maneira satisfazia a todos e fazia ensinar pelas casas e praças o Credo, Mandamentos e as ou­tras orações. E, assim, aos doentes, pela fé dos de casa, vizinhos e sua própria, Deus Nosso Senhor lhes fazia muitas mercês, dando-lhes saúde espiritual e corporal. Usava Deus de muita misericórdia com os que adoeciam, pois pelas doenças os chamava e quase à força os atraía à fé.

Nos outros lugares segue o mesmo método
7. Deixando neste lugar quem  leve por diante o começado, vou visitando os outros lugares11, fazendo o mesmo. De maneira que, nestas partes, nunca faltam pias e santas ocupações. O fruto que se faz em batizar as crianças que nascem, e em ensinar os que têm idade para isso, nunca vo-lo poderia acabar de escrever. Pelos lugares por onde passo, deixo as orações por escrito e, aos que sabem escre­ver, mando que as escrevam, e aprendam de cor, e as digam cada dia, dando ordem para que, aos domingos, se juntem todos a dizê-las. Para isso, deixo nos lugares quem fique com o encargo de o fazer.

Confiança na intercessão dos milhares de crianças que batizou e morreram na inocência
15. E para alcançar esta mercê e graça, tomemos por intercessores e advogados todas aquelas santas almas destas terras onde ando, que, depois que por minha mão batizei, antes de perderem o estado de inocência Deus Nosso Senhor levou para a sua santa glória, cujo nú­mero creio que passa de mil. A todas estas santas almas rogo que nos alcancem de Deus esta graça: que em todo o tempo que estivermos neste desterro, sintamos no íntimo das nossas almas sua santíssima vontade e essa perfeitamente cumpramos.


Nota de introdução das cartas de Xavier: Quanto a Francisco Mansilhas, tenha paciência com essa gente rude e faça de conta que já está no purgatório. Trate o povo com muito amor, porque, continua ele, se o povo vos ama e está bem convosco muito serviço fareis a Deus. E batize todos os meninos, já que os gran­des não querem ir ao paraíso.

Carta 22, ao colega de missão Francisco Mansilhas, 1544
Baptize os recém-nascidos, catequize as crianças e reúna os adultos em oração e instrução aos domingos. Não deixe fabricar ídolos
4. Os meninos que nascem batizareis com muita diligência. Os [outros] meninos ensinareis, como vos tenho recomendado e, aos domingos, as orações a todos, com alguma pregaçãozinha. Proibi6 os pagodes: que não se façam.

Carta 24, a Mansilhas, 1544 India:
Crianças missionárias
“...visitareis os doentes, fazendo a al­guns meninos dizer as orações, como está na lembrança que vos dei; por derradeiro, direis vós um evangelho”.

Carta 26, a Mansilhas 1544, India:
Deseja saber como vai a catequese às crianças
“...escrevei-me se os meninos acorrem às orações e quantos são os que as sabem. De tudo me escrevereis larga­mente, pelo primeiro que vier.
Os meninos cristãos eram de ordinário os seus mensageiros para levarem as suas cartas; alguns de entre eles tanto se afeiçoaram ao Santo que não o quiseram deixar; destes se servia ele para catequistas e intérpretes.

Carta 29, a Francisco Mansilhas (Índia 11/06/1544)
Xavier ...pede notícias, que não descure a catequese das crianças e o batismo dos recém-nasci­dos, que se dê bem com toda a gente e com as autoridades locais.

 “...O ensino dos meninos vos encomendo muito. As crianças que nascem, com muita diligência as batizareis: pois os grandes, nem por mal nem por bem querem ir para o paraíso, ao menos que vão as crianças que, depois de batizadas, morrem”.


Carta 30, a Francisco Mansilhas, (Manapar, 16/06/1544)
Xavier pede orações das crianças para cessar massacre dos barbaros
“...Lá morrem de fome e à sede. Esta noite (*dia 16/06 cf. Xavier-doc. 31) parto, para os socorrer, com vinte (barcas) de Manapar. Rogai a Deus por eles e por nós. Fareis que os meninos, especialmente, roguem a Deus por nós.
...Deus querendo, ireis visitar os cristãos que estão desde Punicale até Alan­dale, batizando os que não estão batizados: de casa em casa, visi­tareis os cristãos e, as crianças que nascem, com muita diligência as batizareis. Os que ensinam os meninos e os que ajuntam, olhareis se fazem bem o seu ofício”.

Carta 31, a Mansilhas, 1544 - Xavier pede notícias ...das visitas missionárias aos povoados (e instrução das crianças)
2. Rogo-vos muito que me escrevais largo: ...se [os catequistas] ensinam os meninos por esses lugares, que eu tenho a todos pagos e não sei o que na minha ausência fazem. De tudo me escrevereis muito largamente, porque desejo saber notícias vossas e desse lugar3.

Carta 36 a Francisco Mansilhas:  “Batizo as crianças que nascem e aos outros que acho por batizar”

Carta 39 a Mansilhas, 1544 - Pa­gamento aos catequistas. Pede notícias
“Para ensino dos meninos, tomareis emprestados em poder de Manuel da Cruz de Punicale, vosso amigo, cem fanões, os quais gas­tareis em pagar aos que ensinam os meninos, informando-vos deles o que eu lhes costumava pagar, e nisto fareis muito serviço a Deus”.

Carta 44 a Mansilhas, 1544 –Pede a oração das crainças
“Aos meninos direis que, em suas orações, se alembrem de rogar a Deus por mim”.

Carta 45, a Mansilhas, 1544 – catequese das crianças
“Em cada lugar, metereis uma escola para ensinar meninos, [com um mestre que os ensine. Podereis tomar do dinheiro que vos for necessário para o mestre e ensino dos meninos] até 150 fanões. Por todos os lugares dessa Costa, deixareis pagos os que ensinam os meninos, até à pesca­ria grande14.

Carta 47 a Inacio de Loyola, 1545
“para estas partes de infiéis, não são necessárias letras, senão ensinar as orações e visitar os lugares, batizando os meninos que nascem: morrem muitos sem se­rem batizados por falta de quem os batize, porque a todas as par­tes não podemos acudir”.

Carta 50, a Mansilhas (India, 1545)
Exorta Mansilhas a percorrer continuamente os lugares de cristãos para adminis­trar sacramentos e animar catequeses
“Rogo-vos muito que não [vos] canseis de trabalhar com essa gente, pregando continuamente por todos esses lugares, batizando com muita diligência as crianças que nascem, e fazendo ensinar por todos os lugares as orações.”

“...Duas coisas vos encomendo muito: a primeira, que andeis peregrinando continuadamente de lugar em lugar, batizando as crianças que nascem, e fazendo com muita diligência ensinar as orações”.

Despedidas na Índia: Depois aproximou-se das crianças que todas lhe estendiam os braços; abençoou-as e chamou a cada uma pelo seu nome de batismo, como se já as conhecesse.
As mães choram de enternecimento e de felicidade; as crianças mostram compreender e apreciar a graça concedida à sua inocência; agitam-se nos braços de suas mães, sorrindo para o apóstolo, que as abençoava, enquanto os de maior idade procuram aproximar-se dele para beijarem a orla inferior da sua pobre batina, e alguns mais felizes conseguem beijar as suas mãos.

Carta 52, Malaca 1545: “Depois que cheguei a Malaca, que é um cidade de grande tráfego de mar, não faltam ocupações pias: todos os domingos prego na Sé, mas não estou tão contente de minhas pregações quanto estão os que têm paciência de me ouvir. Todos os dias ensino aos meninos as orações, uma hora ou mais.


Carta 53, de Malaca 1545, Aos catequistas da Companhia de Jesus para as Índias
2. “Reunido o povo que vem para a explicação do catecismo, fei­to o sinal da cruz, tendo a cabeça descoberta e levantadas as mãos, chame dois meninos previamente preparados em pronunciar com voz clara e bem inteligível a oração dominical. Primeiro, pronuncia o catequista cada uma das palavras e repetem-nas imediatamente os meninos”.


Carta 55, de Amboino (Molucas 1546)
“Nesta ilha encontrei sete lugares de cristãos: as crianças que achei por batizar, batizei. Morreram muitos, depois de batizados. Parece que Deus Nosso Senhor os guardou até que estivessem em caminho de salvação”.
[*Logo que chegou, o primeiro pensamento, a primeira ocupação do nosso Santo foi o de batizar todas as crianças, porque aquelas povoações eram cristãs desde a conquista, mas somente de nome:] Ensinava-se a catequese cantando, ao gosto das crianças.
“Naquelas ilhas batizei muitas crianças que achei por batizar” – Esta é a frase mais corriqueira de Xavier, ao dar conta das missoes empreendidas. Encontra-se em várias cartas

Carta 64, Instrução para os missionários jesuítas na Índia, 1548
A ordem que haveis de ter para servirdes a Deus é a seguinte, na qual vos ocupareis com muita diligência:
Primeiramente vos ocupareis, com muita diligência, nos lu­gares que visitardes ou tiverdes a cargo, de batizar as crianças que nascem, por ser este o feito maior que nestas partes ao presente se pode: indo de casa em casa, pelos lugares que andardes visitando, perguntando se aí há alguma criança para batizar, levando convos­co alguns meninos do lugar, para vos ajudarem a perguntar1.
E não confieis em meirinhos nem em outras pessoas, que vos venham [eles] dizer quando alguma criança nasce: pelo descuido que nestes cabe e perigo que correm as crianças de morrerem sem batismo.
Ocupar-vos-eis muito, em os lugares onde estiverdes ou lugares que visitardes ou tiverdes cargo, de fazer ensinar aos meninos a doutri­na cristã”.

...Quando morrer alguém, enterrá-lo-eis, indo a sua casa com uma cruz e meninos dizendo as orações pelo caminho e, em che­gando a sua casa, direis um responso, levando-o depois a enterrar, e todos os meninos dizendo as orações1; quando o houverdes de enter­rar, outro responso.

... Exortá-los-eis, aos sábados e domingos, aos homens e mu­lheres, que, quando algum menino estiver doente, o tragam à igreja para lhe dizerem o Evangelho. Isto, para que os grandes tenham fé e amor à igreja e as crianças se achem melhor.

“...Aos meninos que vêm às orações, mostrareis muito amor. Guardai-vos de escandalizar...”

Carta 66, 1548 - COMO HÃO-DE ESTAR OS MENINOS E MENINAS AO OUVIR DA MISSA

Ensinar os meninos a estar à Missa e a rezar de manhã e à noite
24. Sejam os meninos e as meninas ensinados como hão-de estar calados, na igreja. À confissão, estejam de joelhos; e à gloria in excel­sis, estejam em pé; e logo à oração, em joelhos, tirando(*exceto) entre Páscoa e Natal; à epístola, estejam sentados; e ao evangelho, em pé, com grande reverência; e ao Credo, e dizendo Homo factus est, ponham os joelhos no chão. Ao prefácio, estejam em pé; e, depois do sanctus, em joelhos, até ao cabo da Missa e tomar a bênção do sacerdote.
25. Também lhes ensinem pela manhã, antes que outra coisa fa­çam, alguma devoção de algumas ave-marias e pater noster e Credo. Ao menos, três ave-marias em joelhos: a primeira, à fé com que Nos­sa Senhora concebeu o Filho de Deus; a segunda, à dor quando o viu expirar na cruz; a terceira, ao prazer da ressurreição. Outro tanto à noite, antes que se deitem. E também ao meio-dia rezem alguma coisa, em memória da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.



Carta 68, ao Pe. Francisco Henrique missionário na India, 1548
Previne-o contra desânimos enganadores do demónio
“Olhai que mais fruto fazeis do que cuidais, em dar vida espiritual às crianças que nascem, batizando-as com muita diligência e cuidado, como fazeis: é que, se bem olhais, achareis que poucos vão da Índia ao paraíso, assim brancos como pre­tos, senão os que morrem em estado de inocência, como são os que morrem de 14 anos para baixo.
Olhai, Irmão meu Francisco Henri­ques, que fazeis nesse reino de Travancor mais fruto do que cuidais! E olhai: depois que vós estais nesse reino, quantas crianças batizadas espanteis [de] o inimigo vos dar muitas turbações para vos lançar fora morreram7 e estão agora na glória do paraíso, as quais não gozariam de Deus se vós aí não estivésseis!
Olhai que, depois que estais nesta Costa – que podem ser oito meses – [já] salvastes mais almas, batizando crianças que depois de baptizadas morrem, do que salvastes em Por­tugal ou de Coulão para lá. Se, em tão pouco tempo, mais almas salvastes nesta Costa, do que salvastes antes que a ela viésseis, não vos dessa terra, para onde não façais tanto fruto como aí.

Carta 101, da Índia 1552: “Tende sempre diante dos vossos olhos o muito que padecem os do Cabo de Co­morim, e quantas crianças morrem sem batismo à míngua de não haver quem as baptize, por se não poderem sustentar lá os Padres”.


Milagres: O amor de Xavier para com as crianças ia além do batismo e da instrução catequética, bem como de trona-las missionárias coadjuvantes de sua missão. Também Xavier, no ápice do seu amor por elas fez inúmeros prodigios para recuperar a saúde de crianças doentes. Para ir além disso, as ressurreições realizadas por Intercessão de Xavier era especialmente para voltar a vida a algumas crianças que morreram. São descritos em sua biografia, cerca de 10 ressurreições de crianças.