quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

O zelo de São Francisco Xavier pela oração



            Conhecemos cento e trinta e sete documentos, os quais foram considerados pelo P. Georg Schurhammer(1) como tendo sido escritos, ditados ou pelo menos inspirados por Francisco Xavier. Entre estes cento e trinta e sete documentos, trinta e sete são importantes para o tema da oração. Trata-se de textos que podem incluir referências mais ou menos vagas até textos que são quase tratados acerca da oração. Não será ainda demais mencionar o fato de que as biografias escritas pelos primeiros hagiógrafos de Francisco Xavier, entre eles, Manuel Teixeira e João de Lucena, incluem cartas ou trechos de escritos de S. Francisco Xavier.
Nota: 1 Georg Schurhammer SJ, o maior especialista em S. Francisco Xavier de todos os tempos, considera no artigo Die Xaveriusreliquien und ihre Geschichte que os documentos 2, 4,5,9, 99 foram escritos pelo próprio Santo, os documentos 52, 58, 59, 67, 77, 100, 102, 115, 122, 23, 125, 128, 132 como cartascom endereço ou assinatura de Xavier, os documentos 139, 140, 141 extractos e carta completamente de sua mão, enquanto os documentos 151 153 162, 362 teriam sido apenas assinados por ele.
            A documentação atribuída a S. Francisco Xavier, que para a época não era particularmente vasta, incluía majoritariamente hijuelas ou cartas privadas destinadas ao Padre Geral, cartas endereçadas a seus companheiros na Europa, cartas para não jesuítas, incluindo as cartas ao Rei D. João III, assim como instruções ou cartas – regulamentos para os missionários no Oriente, como a Instrução Terceira ao Padre Barzeus, Reitor do Colégio de S. Paulo, as instruções para os missionários da Costa da Pescaria, e sobretudo as vinte e seis cartas dirigidas a Francisco Mansilhas, textos para a catequese (Instrução para os Catequistas da Companhia de Jesus), escritos espirituais que compreendem textos como as anotações aos Exercícios Espirituais, até textos como o Catecismo Breve (1542), o Modo de Rezar e salvar a alma (1548?), a Oração pela conversão dos gentios, Goa, (1548?), e ainda documentos vários de difícil classificação.
            O documento mais antigo que se conhece é uma carta que Francisco Xavier escreveu durante a sua estadia em Paris em 1535 ao seu irmão João de Azpilcueta (Obanos). Do ano da sua morte data a grande maioria das epístolas escritas por Francisco Xavier e que chegaram à atualidade, ou seja, quarenta e duas cartas, quase um terço do total do seu legado epistolar.
Entre os seus textos mais famosos e que tratam diretamente a questão da oração, começamos por referir a sua Doutrina Cristão ou Catecismo Breve, composto em Goa em Maio de 1542. Trata-se duma adaptação do Catecismo publicado pelo cronista João de Barros entre 1539 e 1540 em Lisboa. Todavia, Francisco Xavier realizou importantes alterações. Francisco Xavier introduziu o seu catecismo com uma Oração à Santíssima Trindade e terminou o mesmo escrito com uma oração dedicada a S. Miguel Arcanjo, que são precisamente duas das principais devoções da Companhia de Jesus.
De igual forma, o Catecismo Breve reflete o contexto missionário em que foi composto. Pois S. Francisco Xavier, grande devoto do Apóstolo S. Tomé, acrescentou, provavelmente pela mesma razão e devido ao fato de S. Tomé ser Padroeiro da Índia Portuguesa, uma especial intercessão a S. Tomé. Francisco Xavier juntou ainda no mesmo texto uma oração por si composta e na qual renegava todos os sinais de heresia representados na sua opinião pelos «pagodes, que são deuses dos gentios em figuras de bestas e alimárias do diabo».
A mesma preocupação é visível no texto doutrinal Explicação do Símbolo da Fé (Credo), composto em Ternate em 1545, no qual afirma: «E assim, os que adoram em pagodes, como fazem os infiéis, e os que crêem em feitiços e sortes e adivinhadores pecam, gravemente, contra Deus, porque adoram e crêem no diabo e o tomam por seu senhor, deixando a Deus que os criou e lhes deu alma e vida o corpo e quanto têm, perdendo, os tristes, por suas idolatrias, o céu, (..). Mas, os cristãos verdadeiros e leais a seu Deus e Senhor crêem e adoram, de vontade e coração, um só Deus verdadeiro, Criador dos Céus e da terra. Bem o mostram quando vão às igrejas e vêem suas imagens que são lembranças dos santos que estão com Deus, em a glória do paraíso; põem, então, os cristãos os joelhos no chão, …, e alevantam as mãos para os céus.
De acordo com o espírito da época, Francisco Xavier considerava a profissão de religiões diferentes do Cristianismo um pecado grave. Defendia que sinais do ritual cristão, tais como ajoelhar-se nas igrejas, venerar as imagens dos santos, são sinais inequívocos da pertença à única e verdadeira religião: o Cristianismo.


S. Francisco Xavier e o Estado Português da índi





Como foi referido, o Estado Português e a Companhia de Jesus iniciam em 1541, uma colaboração que tem por objectivo evangelizar a Índia. A partida poder-se-ia pensar que esta comunhão de objectivos iria levar a uma sintonia na acção entre o Estado Português na índia e a Companhia de Jesus. Contudo, a linha comum que liga a Coroa portuguesa e a Companhia de Jesus é, por vezes, muito ténue porque enquanto a Coroa portuguesa quer subordinar as necessidades das comunidades cristãs aos seus interesses, os missionários da Companhia querem salvar as almas dos nativos. O contacto com a realidade indiana vai fazer ver a Francisco Xavier que o bem estar da comunidade cristã, passa bem mais longe dos interesses do poder temporal português do que ele pensava aquando da sua partida para a índia.
Numa das cartas que escreve da Índia, Xavier afirma que a missionação não é coincidente com os interesses dos portugueses. Francisco Xavier começa por referir a ausência de portugueses nas zonas mais pobres e escreve que em Tuticorim «no abitam portugueses, por ser la tierra muy estéril en extremo y paupérrima» Para Francisco Xavier os portugueses estão unicamente nas regiões ricas, ora este posicionamento dos portugueses não coincide com a actividade evangelizadora dos jesuítas, que muitas vezes se expande para regiões economicamente muito pobres. Como escreve Francisco Xavier «En estas ciudades [Cochim e Goa] ay todolas cosas en abundancia, como em Portugal, porque son pobladas de portugueses (...) hay muchos médicos y medicinas, lo que no ay donde no habitan portugueses como donde andamos Francisco Mansillas y yo».
Rapidamente, Xavier passa da simples observação desta situação a uma efectiva crítica da separação entre a prática do Estado e aquilo que devia ser a resposta deste às exigências da missionação dos nativos.
Numa Carta a D. João III, com a data de 26 de Janeiro de 1549, S. Francisco Xavier escreve que «V.A. nom hé poderoso na Imdia pêra acrecemtar a f é de Christo e hé poderoso pera levar e possuir todas as riquezas temporais da Imdia. Perdoai-me V.A., que tam craro lhe falo». Segundo o Padre João de Lucena «em toda a costa da Pescaria, eram os pobres cristãos maltratados dos oficiais de el-rei, sem respeito do padre Francisco, cujas lembranças e repreensões podiam já menos com eles que a própria cobiça.(...) Em Goa eram favorecidos os brâmanes (casta que controlava muitos templos pagãos) e tão desamparados os que se convertiamcomo se estivera à nossa conta poupar a gentilidade e não dilatar a Igreja». E Francisco Xavier escreve indignado «dos aggravos que fazem a esses cristãos [da costa da pescaria], assim os gentios como os portugueses, não posso deixar de sentir dentro em minha alma, como he razão. Estou j á tão acostumado a ver as offensas que nestes christãos se fazem e não os poder favorecer, que é muito uma magoa que sempre commigo tenho». As críticas ao poder temporal português concretizam-se, frequentemente, nas queixas do comportamento de oficiais do Estado: «o mao tratamento que os capitães e feitores fazem aos que novamente se convertem avendo-os elles de ajudar, são imcomportabiles hé casy hum género de martírio ter paciência e ver destruir o que com tanto trabalho tem ganhado».
O poder temporal, que devia ser o principal sustentáculo da evangelização torna-se no seu principal obstáculo. Por isso Xavier procura que o trabalho dos missionários não seja confundido com o poder temporal português. A atuação do Estado é muitas vezes prejudicial para a «pregação do evangelho, porque na índia, os mouros, (...) publicamente pregavam e pregam que não tratamos da religião senão para haver o Estado. E entre os japões e chins é coisa sabida que com nenhuma outra nos faz o Demónio mais guerra, (...) não são eles [os missionários] espias nem conselheiros, nem por qualquer via ministros dos vizo-reis e capitães nas matérias das conquistas e governo e que, quanto for possível creiam de nós os infiéis, que só queremos deles as almas para Cristo e não as terras para a coroa de Portugal (...) Com esta tenção, o padre-mestre Francisco não deu nunca em suas cartas avisos nem alvitres nem pareceres para descobrimentos de ilhas, e entradas de reinos, crescimento de rendimentos ou fazendas reais, mas todo o negócio que teve com os governadores da índia foi sempre (...) sem nenhum respeito aos poderes temporais do Estado que, sobre não estar à sua conta, ele não havia que não podia ir bem, indo mal ao da religião».
Aliás, Francisco Xavier, por vezes parece querer monopolizar para a Companhia de Jesus o contacto com os nativos, defendendo, por isso, um gradual afastamento do Estado nas relações com a população indígena: «Tão longe, enfim, estava o padre-mestre Francisco de ajudar nem servir aos ministros do rei na sujeição dos naturais da índia, que para livrá-los das vexações que por ela padeciam pediu por suas cartas ao rei libertasse os novamente convertidos de toda a jurisdição de feitores e capitães. E este foi o principal ponto sobre que lhe escreveu no ano de quarenta e nove».
Numa esclarecedora carta datada de 11 de Setembro de 1544, Xavier mostra-se indignado pela falta de tacto do poder temporal português na relação com os reinos indígenas, estas não estão reguladas de forma a tornar estável o progresso da missionação. Perante a incapacidade do poder temporal, Francisco Xavier começa por revelar uma certa indignação perante a prepotência do poder português para com a população nativa: «Agora me vierão três gentios, homens d'el-rey com queixumes que hum português prendera em Patanão hum criado deste príncipe de Iniquitribim [aliado dos portugueses] (...) se alguma cousa lhe dever esse gentio, que venha diante deste príncipe a requerer justiça e que não alevantem a terra mais do está alevantada: por causa destes nós nunca fazemos mais.(...) Parece-me, deixarei de hir ver a el-rey (...) esta gente está agastada, por causa que assim os deshonrão e os prendem em sua terra (...) porque, assim como parecera mal que hindo hum gentio donde estão os portugueses, se aprendessem lá hum portuguez estando lá o capitão e o trouxessem à sua terra firme, assim estes lhes parece mal prender hum portuguez a hum homem em sua terra delles e leva-llo ao capitão; tendo elles justiça na tierra e estando de paz» .
Duas conclusões se podem tirar da leitura deste extracto. Em primeiro lugar parece estar presente uma certa indignação pela forma como uma civilização estrangeira pretende impor um modelo de justiça eventualmente estranho à noção de justiça da população indígena. A segunda conclusão que se pode retirar da leitura desta carta de Francisco Xavier, é de que o conceito de justiça é subvertido em função das contingências da missionação. Xavier não está preocupado com o fato daquele nativo ter cometido um crime, para o jesuíta, o mais grave da situação é que o progresso de cristianização naquele reino pode estar comprometido com a prisão do criado do príncipe. Para demonstrar como o conceito de justiça está subordinado à evangelização, numa outra carta a Francisco de Mansilhas Xavier escreve que «A Cosme de Paiva [oficial regi a udareisa dezencarregar a conciencia dos muitos roubos que ." > Costa tem feito, e dos males e mortes de homens que por muia sua cobiça se fizerão em Tutucorim; (...) E assim lhe direis da minha parte, que o avizo que tenho de escrever a El-Rey suas malfeitorias, e ao Senhor Governador para que o castigue, e ao infante Dom Henrique, que por via de Inquizição castigue aos que perseguem aos que se convertem a nossa santa ley e fé». Agora, neste caso particular, Francisco Xavier j á defende o exercício da justiça, porque a prisão de Cosme de Paiva é essencial para o progresso da missionação. É curiosa a relação da Companhia de Jesus com o poder temporal.
Ainda que nas cartas de Xavier, e em historiografias de jesuítas, se defenda uma separação da atividade da Companhia de Jesus das ações da Coroa portuguesa, não se dispensa a existência do poder civil. Há, claramente, uma noção utilitária do Estado Português. Através da leitura da correspondência de Francisco Xavier, e das Histórias de Lucena e Sousa, nota-se que é na proteção a missionários e neófitos (novos cristãos) que o poder temporal justifica a sua autoridade sobre as populações. A presença do poder temporal português era tanto mais importante quanto «importava, também, saberem os príncipes infiéis que tinham os cristãos na índia quem os defendesse e tomasse de suas afrontas e vexações a devida satisfação» . Imediatamente após um ataque dos muçulmanos aos cristãos da costa da pescaria Francisco Xavier «escreveu ao governador Dom Estêvão, ele houve a armada de socorro e se embarcou nela com outros sacerdotes, a qual foi de tanto efeito que, em poços dias, os mouros ficaram castigados, a terra pacífica, os paravás senhores absolutos da pescaria, que por antigo direito era sua».
Neste contexto os critérios que definem um bom governador não são a sua competência militar nem diplomática, mas antes a sua política religiosa. Parece que Martim Afonso de Sousa se encontrava nesta categoria, porque segundo Xavier «sí su Santidat supiesse quanto acá el Senor Governador le sirve, agradecelle ya los servicios que acá haze pués tanto mira por sus ovejas, Y tan solicito es en vigilar sobre ellas que los ynfiéles, lupi rapaces, non devorent eas (...) que le de su sanctissima gratia para siempre preserverar en bién» .
Nas cartas de Xavier, para além das múltiplas referências relacionadas com a atividade missionária, encontramos passagens que nos dão a conhecer um Francisco Xavier mais distante da imagem do soldado cristão incansável na luta contra a idolatria. Muito longe das contínuas exortações que faz para que o missionário seja incansável na expansão da fé, estão manifestações de resignação com a situação existente. Em Maio de 1544 numa carta a Francisco de Mansilhas, que também trabalhava nos cristãos da costa da pescaria, Francisco Xavier escreve as seguintes palavras: «Rogo-vos muito que não vos agasteis por nenhuma cousa com essa gente tão trabalhosa, e quando vos virdes com muitas occupaçoens, e que a todos não podeis satisfazer, consolaivos fazendo o que podeis; e dai muitas graças ao Senhor (...)»  Numa outra carta afirma que «se não acabais com eles tudo o que quereis, contentai-vos com o que podeis, que assim faço eu» .
Noutras cartas essa resignação chega a dar lugar à frustração. Em Setembro de 1544 escreve: «por não ouvir estas couzas, e também por hir aonde dezejo à terra do Preste João, donde tanto serviço se pode fazer a Deos, Nosso Senhor, sem ter quem nos perigos, não será muito que tome aqui em Manapar hum tone [espécie de embarcação] e me vá» . Noutra carta, escrita mais tarde, em Novembro de 1544, diz: «Eu estou enfadado de viver, que julgo ser melhor morrer por favorecer a nossa ley e fé, vendo tantas offensas quantas vejo fazer sem acudir a ellas».
Finalmente uma alusão à importância da correspondência de S. Francisco Xavier para a estruturação da missionação jesuíta. A correspondência tem uma função basilar na atividade evangelizadora da Companhia. Como principal meio de comunicação, a carta é a forma pela qual os jesuítas se informavam mutuamente do progresso da missionação. Esta ampla comunicação entre os jesuítas, não se explica unicamente por uma razão prática.
Segundo João de Lucena «nasceu este santo costume de comunicarem os servos de Deus uns aos outros o que fazem por serviço do Senhor com a mesma Igreja e com o próprio Evangelho, não somente por seu nome, que quer dizer boa nova (...) mas porque j á quando os discípulos mandados por Cristo tornavam de o pregar, refere São Lucas que lhe contavam tudo quanto deixavam feito, donde tirou São Basílio a regra septuagésima que diz: os que por divino benefício fizeram algum bem devem fazê-lo saber aos outros para maior honra e glória de Deus».
O Padre João de Lucena acrescenta ainda, a este propósito, que «Conformando-se com o tal espírito que os sagrados apóstolos sem dúvida tomaram de Cristo nosso redentor, esta sua mínima Companhia nenhuma coisa é nela mais antiga que as cartas com que damos parte uns aos outros do que Nosso Senhor é servido obrar por seus, posto que indignos instrumentos. E, ainda que o autor desta Constituição, como todas as mais fosse nosso padre Inácio de Loiola de gloriosa memória, contudo entre as cartas de semelhantes argumentos, as primeiras que nós sabemos foram do padre-mestre Francisco escritas de Goa em Setembro do ano de quarenta e dois, que parece deram o exemplo à Constituição que muito depois fez o padre Inácio e introduziram o costume por toda a Companhia» .

Resumo da cronologia da vida de S. F. Xavier




1506 a 1524
Na Espanha
18 anos
1524
Viagem a França

1524 a 1536
Estudos Paris na França
12 anos
15/11/1536 a 08/01/1537
Peregrinação a Itália
54 dias
08/01/1537 a 15/03/1540
Itália
3 anos e 2 meses
15/03/1540 a 23/06/1540
Peregrinação a Portugal
3 meses e 8 dias
23/06/1540 a 07/04/1541
Espera em Lisboa - Portugal
9 meses e 15 dias
07/04/1541 a 06/05/1542
Viagem a Índia
1 ano e 1 mês
03/09/1541 a 27/02/1542
Parada em Moçambique

27/02/1542 a 06/05/1542
Reembarque para ìndia com escala em Melide no Quenia e Socotorá

06/05/1542 a 21/09/1542
Goa na India
5 meses e 11 dias
21/09/ a 05/10/1542
Viagem marítima de Goa a Manapar
15 dias
05/10/1542 a 10/1543
Costa da Pescaria
1 ano
10/1542 a 03/1543
Missaão na cidade de Tuticorim
4 meses e meio
03/1543 a 09/1542
aldeias vizinhas a  Tuticorim. Eram estas  - norte: Vaippâr, Chetupar, Vêm­bâr. De Manapar para sul: Puducare, Periya Tâlai, Ovari, Kûttankuli, Idindakarai, Perumanal, Kûmari, Muttam, Kan­niyâkumâri (Cabo de Comorim), Kovakulam, Râjakkamangalam, todas aldeias de paravas

10/1543
Viagem de retorno a Goa
’~10 dias’
10/1543 a fm/12/1543
Goa na India
2 meses
03/01/1544 a 29/03/1545
Costa da Pescaria de Cohim até Nagapatão. Foi rapidamente em Goa 12/1544.
1 ano e 4 meses
29/03 a ‘08’/05/1545
Viagem a pé de Nagapatão a Meliapor (oriente da Índia)
1 mês
05/1545 a fm/08/1545
Em Meliapor -India
3 meses e meio
fm/08/1545 a 25/09/45
Viagem a malaca
1 mês
25/09/45 a 01/01/1546
Em malaca
3 meses
01/01/1546 a 14/02/1546
Viagem de malaca a Molucas
1,5 mes
14/02/1546 a in/06/1547
Ilhas Molucas
1 ano e 4 meses
in/06/1547 a fm/07/1547
Retorno a malaca das molucas
1,5 mes
fm/07/1547 a fm/12/1547
Em Malaca
5 meses
fm/12/1547 a 20/01/1548
Retorno de malaca a Cochim
1 mes
13/01/1548 a 15/04/1549
Na India

13/01/1548 a 13/03/1548
Costa da Pescaria: Cochim e Manapar
1 mês 23 dias
13/03/1548 a 06/1548*
Em Goa
3 meses
06/1548* a 03/1549
Retrorna para a missão na Costa da Pescaria, especialmente em torno da cidade de Cochim no Cabo Comorim.
9 meses
03/1549 a 17/04/1549
Em Goa. Assuntos administrativos da Companhia de Jesus  e preparação para missão no Japão

17/04/1549 a 31/05/1549
Viagem marítima de Goa a Malaca
1,5 mes
31/05/1549 a 24/06/1549
Em Malaca
25 dias
24/06/1549 a 15/08/1549
Viagem de Malaca ao Japão
1,5 mes
15/08/1549 a 20/11/1551
No Japão

15/08/1549 a 08/1550
Missão em Kangoshima
1 ano
08/1550 a 12/1550
Saída de Cangochima para Hirado (Hizen), capital da ilha Hirado-Jima onde permanece por dois meses até segui para Yamaguchi na mesma Ilha onde não obteve sucesso.
4 meses
(missão e viagem)
12/1550
Regresso a KAGOSHIMA
 (ilha de HIRADO)..
Fica alguns dias e nova despedida
12/1550 a 01/1551
Viagem de Amaguche para Meaco por terra, a pé. – 1 mês
1 mês
13 a 24/01/1551
em MIYAKO, capital do Japão. /retorna devido a guerra
Somente 11 dias 
13/Jan a mar/1551
Viagem de retorno de Meaco a Amaguhe
Viagem de 2 meses “a pé”
Md/03/1551 a 09/1551
De novo em Amaguche
, 6? Meses
Fim/09/1551 a 16/11/1551
No reino de Bungo
2 meses
16/11/1551 a 24/01/1552
Viagem do Japão a Goa na India. Fez escala em Sancião (29/11 a 03/12); Singapura (24 a 27/12); Malaca (27 a 30/12) e Cochim (24 a ?/01)
2 meses e 8 dias
04/02/1552 a 17/04/1552
Em Goa na Índia
(administração)
2 meses
17/04/1552 a 31/05/1552
Despede-se de Goa para viagem a China
Trecho de Goa a Malaca
1,5 mes
31/05/1552 a 17/07/1552
Retido o navio em Malaca
1,5 mes
17/07/1552 a fm/08/1552
Viagem de Malaca a China
~1,5 mes
Fm/08/1552 a 03/12/1552
Espera em Sanchião na China
3 meses
03/dez/1552
Morte
Aos 46 anos

São Francisco Xavier zeloso missionário de Cristo


AMOR A DEUS, AO PRÓXIMO E A SI MESMO


«Julgou bem aquele que, desejando compreender a admirável vida do grande Apóstolo das Índias, disse que ele foi todo de Deus, ao zelar pela glória do Pai, tudo do próximo, ao procurar a salvação deste, e tudo de si mesmo, ao trabalhar pela própria santificação.
A santidade tem por fundamento o amor a Deus, sendo este o primeiro e o maior dos preceitos, a chama vivificante da vida cristã. E se na terra houver santo que tenha rivalizado com os mais elevados Serafins, sem dúvida é São Francisco Xavier. Desde o dia de sua conversão até o último de sua existência, cresceu continuamente na caridade, chegando quase a ser consumido por ela, com apenas 42 anos de idade. Nô-lo dizem seus êxtases, seus arrebatamentos, sua contínua união com Deus, suas incessantes fadigas para tornar conhecido e amado Nosso Senhor Jesus Cristo, seu contínuo aspirar a coisas sempre maiores.
E com o amor a Deus, crescia sempre mais nele, o amor aos irmãos. Queria reconduzir à casa do Pai Celeste todos os que se desviaram do caminho e conquistar, para o Evangelho, todos os pagãos. Por isso, abandona a Pátria, aventurando-se em longas viagens por terra e mar e percorre, palmo a palmo, imensas terras, para anunciar a todo mundo a Boa Nova. Os perigos de todo tipo, as perseguições, as privações, as fadigas, as intempéries, as dores físicas e morais, ao invés de resfriarem, acendem mais seu zelo. Aliás, perante este feixe de cruzes, exultante repete, com santa alegria: Plura, Domine, plura! – Mais, Senhor, ainda mais! Tudo isso nos dá conta da fecundidade de seu apostolado, que conquistou para o Evangelho milhões de almas, como dons  extraordinários com que o Senhor quis honrar seu servo, para chancelar, junto aos povos, a missão deste.
E, enquanto trabalhava continuamente pela salvação das almas, nada perdia de sua união com Deus. Em meio às mais graves e variadas dificuldades, encontrava tempo para todas as obras de piedade, com vistas a alimentar o espírito. Delas, aliás, retirava continuamente a força e a energia para sempre novas labutas visando a salvação dos irmãos e novas ascensões na perfeição cristã.
Inspiremo-nos nos exemplos de Xavier e lembremos sempre que, se quisermos ser dignos apóstolos do Evangelho, também devemos ser todos de Deus, do próximo, de nós mesmos. Somente deste modo poderemos dar a Deus toda a glória que lhe é devida.»
Enquanto missionava pelo Oriente, contavam-se muitas histórias a seu respeito, e dizia-se que Francisco era capaz de prever o futuro, ver acontecimentos que se desenrolavam à distância e acalmar as tempestades marítimas com boas palavras. A imagem de São Francisco Xavier surge geralmente associada a um símbolo composto com um caranguejo com um crucifixo nas tenazes. Este símbolo relaciona-se com um dos milagres que lhe é atribuído.
Segundo a tradição, esse milagre deu-se certo dia, quando São Francisco Xavier navegava ao largo das ilhas Molucas, em que rebentou um temporal medonho. Os marinheiros, aflitíssimos, julgando que chegara o último dia das suas vidas, gritavam em altas vozes pedindo a Deus misericórdia. Como de costume, São Francisco manteve a serenidade, pegou no crucifixo de madeira que sempre trazia consigo e mergulhou-o nas águas revoltas. Os vagalhões desfizeram-se logo e o crucifixo desapareceu no mar. Quando o navio chegou à praia e os tripulantes desembarcaram, viram sair das ondas um enorme caranguejo que trazia o crucifixo perdido para o devolver ao dono. São Francisco Xavier recolheu-o sem dizer palavra e o caranguejo voltou para o mar.


São Guido Conforti era devoto de São Francisco Xavier


Como Guido M. Conforti o conheceu e o propôs a nós.

Além do fascínio pelo Cristo Crucificado, há um segundo, que caracteriza a vida e a ação de Guido M. Conforti, e é aquele relacionado à pessoa de Francisco Xavier. Tanto nos escritos quanto na pregação, com muitíssima freqüência, refere-se a ele espontâneamente, de quem fala como de um amigo, de quem conhece e lembra de cor a virtude e a ação, podendo discorrer sobre ele sem necessidade de um texto preparado2. Suas intervenções neste assunto traçam lineamentos precisos e pontuais, de modo a oferecer claramente “um Xavier segundo Conforti”.
Para Conforti «o Xavier», como ele costumava dizer, é o homem que soube se deixar ransformar pelas Palavras do Evangelho, soube vivê-lo, empregando toda sua força de vontade. Configurouse, assim, a Jesus Cristo, como sua cópia fiel, assumindo-lhe a fisionomia, mediante a contemplação e a realização da caridade, na oração e na união com Deus, até se tornar apóstolo obediente.


O sonho e a bênção do bispo de Parma e fundador dos Xaverianos
«E agora, como vosso Bispo, seja-me permitido expressar um ardente voto: o de que, entre nossa exuberante juventude, surjam imitadores da vida apostólica de Francisco Xavier; como daquela Parma de seus dias, que viu a ele acorrer Antônio Criminali, para ser seu companheiro nas lutas e triunfos, e que, poucos anos mais tarde, derramava seu sangue pela Fé, tornando-se o primeiro mártir da nobre Companhia de Jesus.
Nesta nossa cidade surge um Instituto que recebe o nome e a inspiração de Xavier e já acolhe, de todos os cantos da Itália, uma bela turma de jovens animados, desejosos de participar das pacíficas conquistas da fé. Eu gostaria que, nesta nobre turma, fosse maior do que é o número dos filhos desta terra sempre sensível a tudo o que é belo e grande. Deposito esse voto ardente aos pés do altar do sublime Apóstolo das Índias, para que o apresente ao Rei imortal dos séculos. Que, pelos merecimentos de tal Intercessor, o torne fecundo, com aquela bênção que move os apóstolos.»

São Francisco Xavier: apóstolo obediente


« Os Santos que alcançaram os mais altos cumes da perfeição não se dão, porém, por satisfeitos com isso: eles experimentam o sublime êxtase do sofrer; com o Apóstolo Paulo, exclamam: Superabundamos de alegria em todos os sofrimentos!7. Eles, juntamente com Xavier, à chegada das provas mais difíceis, generosamente dizem a Deus: “Mais, Senhor, ainda mais!”. Isso, porque são animados pela mais pura e ardente caridade, que os leva a procurar, em tudo, a aprovação de Deus, e a se tornar um em Jesus Cristo. Compreenderam a santa loucura da cruz, em toda a sua extensão, que o mundo, envolto nos prazeres dos sentidos, nunca poderá compreender.»

«Então teremos por eles (os Superiores) e por sua obra todo o devido respeito. Uma palavra deles, um desejo, um voto, todo o complexo de sua orientação será, para nós, como uma ordem. Assim agia São Francisco Xavier que, a um gesto de seu pai, Santo Inácio, teria abandonado, sem duvidar, todos seus grandiosos projetos de conquistas cristãs, até mesmo afastando-se para sempre do campo do apostolado. Assim fizeram outros Santos que, nas ordens de seus Superiores, reconheciam a vontade de Deus e as amorosas disposições de sua Providência. Imitemo-los, se quisermos nos salvaguardar das sutis insídias do amor próprio, que nos impelem sempre a antepor nossa vontade à de Deus, com perda do merecimento que poderíamos adquirir a seus olhos.»

Xavier “formado segundo o Cristo” nas dificuldades e nos sofrimentos
«Todos os que são compelidos por esta fome e sede (de justiça) serão saciados porque, no caminho da perfeição cristã, Deus lhes estenderá a mão, os confortará, os atrairá a si por caminhos admiráveis, e satisfará todas as aspirações de seu grande coração. Acontecerá, com eles, o que escreve o Salmista Real, isto é, que a alma percorre, com passos de gigante, o caminho dos preceitos divinos, quando Deus o amplia com o sopro de sua graça: Viam mandatorum tuorum cucurri cum dilatasti cor meum.
Xavier também viveu essa experiência e, no meio das dificuldades do apostolado, experimentava uma superabundância de felicidade, que o obrigava a dizer a Deus: Satis, Domine, satis, satis! – basta, Senhor, basta!”.»

São F. Xavier contemplativo na caridade, na oração e na união com Deus



«A santidade tem por base o amor a Deus, sendo este o primeiro e o maior dos preceitos, a chama vivificante da vida cristã. E se na terra houver santo que tenha se equiparado aos mais elevados Serafins, ele é, sem dúvida, São Francisco Xavier. Desde o dia de sua conversão até o último dia de existência, cresceu continuamente na caridade, por ela quase chegando a ser consumido quando contava somente 42 anos de vida. Nô-lo dizem seus êxtases, seus arrebatamentos, sua contínua união com Deus, sua incessante labuta para tornar Nosso Senhor Jesus Cristo conhecido e amado, seu contínuo aspirar a coisas sempre maiores. E, com o amor a Deus, ia crescendo, sempre mais nele, o amor aos irmãos.»
«Francisco Xavier, quando não conseguia, com a pregação, a conversão de alguma alma perdida, acrescentava noites de oração e a mortificação da própria carne, sempre alcançando os mais belos triunfos sobre as mentes pervertidas e sobre os corações corruptos. Como bem podeis ver, aqueles mais generosos pagam as dívidas dos que têm menos; nossos sacrifícios, nossas orações, conseguem maravilhas de graças, nossas penas passageiras preparam, para muitos, as eternas felicidades do céu.»

São Francisco Xavier: cópia fiel de Jesus Cristo


«A minha vida é Cristo, dizia o Apóstolo: mihi vivere Christus est3. Nesta palavra está contido o segredo da santidade. A santidade consiste em viver da vida de Cristo. Alguns são a imagem de seu poder, outros, de sua humildade, alguns, de sua mansidão e  utros, de sua fortaleza. O Cristão é um outro Cristo. E isso nós percebemos claramente também em nosso celebrado Protetor, São Francisco Xavier.
Façamos uma comparação entre ele e Cristo, modelo dos predestinados, e veremos que foi cópia fiel do Mestre. Cristo viveu desapegado de todas as coisas terrenas. Francisco Xavier, por meio de uma máxima do Evangelho, descobriu o nada, desapegando-se de tudo - da família, da pátria, das riquezas -, e abraçando a pobreza de Cristo.
A vida de Cristo encontra-se resumida naquelas palavras por Ele pronunciadas: in iis quae patris mei sunt oportet me esse4; Francisco toma, como palavra de ordem de sua vida: ad majorem Dei gloriam5. Não procura que uma coisa, a glória de Deus, torná-lo conhecido entre aqueles que jazem nas trevas; para isso, enfrenta viagens, perigos, as intempéries, e as perseguições do inimigo do nome Cristão.
Nós também, como quer o Apóstolo, temos de crescer em Jesus Cristo ut crescamus in illum6. Com o Batismo ele nos transmite sua vida, com a Crisma, a aperfeiçoa, com a Comunhão, a alimenta, com a Penitência, cura a enfermidade e acrescenta novo vigor. Cristo cresce a cada dia, a cada hora nas almas santas. Toda boa obra, todo ato virtuoso faz Cristo crescer em nós, mas as artérias pelas quais a vida de Cristo se transfunde em nós e se aperfeiçoa são a oração e os Sacramentos. [...]
Francisco Xavier precedeu-vos com seu exemplo: imitai-o e ireis fazer parte da glória imortal que agora o circunda no céu.»