sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Dois milagres de São Francisco Xavier na Índia: cura do leproso e ressurreição do catequista

 



Cura ao leproso - Visitando o Santo uma aldeia da mesma Costa da Pescaria, encontrou um pobre Paravá coberto de úlceras, falto de tudo, inteiramente nu e sem forças já para suportai a vida. O coração de Xavier comove-se profundamente à vista de tamanha dor e miséria. Ajoelha-se junto do doente, e fala-lhe com a voz entrecortada pelas lágrimas; consola-o com uma ternura paternal; lava as suas chagas, das quais ninguém se atreveria a aproximar-se, tão repugnantes eram elas, e cedendo ao seu ardente desejo de mortificações e de sofrimentos, lembrando-se, além disto, da delicadeza da sua natureza, que outrora chegava ao excesso, bebe, uma parte da água que servira para lavar as chagas do índio!!!... Afasta-se em seguida do lado do doente, que acabava de abraçar com afecto e solícita caridade, e entrega-se à oração.
Alguns instantes depois, levanta-se e volta para junto do doente... O Paravá olha para si, examina os seus membros, palpa-os e abre os grandes olhos... Estava curado! Suas chagas estavam cicatrizadas, seu corpo estava inteiramente limpo e não parecia ter sofrido nunca!

Ressurreição do catequista  
Antônio de Miranda era o catequista do nosso Santo, e por este título lhe era duplamente querido.
Uma noite, foi mordido por uma víbora que lhe causou a morte; o veneno desses répteis é mortal nas Índias. O Santa Padre é chamado; vai imediatamente, mas não vai ocupai-se dos seus funerais; precisa dele para a instrução dos índios, a glória de Deus e a salvação das almas carecem dos seus trabalhos
- "Antônio, diz-lhe o Santo, com voz forte e vibrante, em nome de Jesus Cristo, levantai-vos!"
E Antônio que morrera na noite precedente, levantou-se cheio de vida. As manchas do veneno que o matara desaparecem no mesmo instante. A multidão, presente aquele prodígio, solta gritos de alegria e de admiração ; lança-se aos pés do Santo Padre, chama-o o grande Deus, e ele vê-se obrigado a explicar-lhe que não é mais que o instrumento do grande Deus que reina nos Céus e que o enviou às Índias para se fazei conhecer, fazer-se amar, fazer-se servir por todos que o ouvem, e para bem doutros ainda, aos quais espera levar o seu nome.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Blog de São Francisco Xavier tem 100.000 acessos em menos de 3 anos

O Blog foi criado e é mantido por Arôvel Lima, grande devoto do santo, morador da comunidade de Resina e animador da comunidade (capela) de São Francisco Xavier.


 Ele tem por objetivo propagar a devoção deste grande santo missionário da Igreja Católica que ainda é pouco conhecido no Brasil. É também, uma maneira de facilitar o conhecimento sobre a vida do santo pelos milhares de devotos de comunidades, paróquias e dioceses do Brasil que o tem como padroeiro.

É um trabalho inédito sobre este santo. Em nenhum outro site se encontra vasto conteúdo dedicado exclusivamente a um santo. Nem mesmo os santos mais populares, exceto de Maria SS.
O autor, mostra-se surpreso e grato por tamanha adesão dos leitores, que de forma inimaginável, é muito acessado por todo o mundo.
São mais de 120 países que acessam frequentemente o BLOG. Há internautas de países mais remotos que acessam o Blog na versão de tradução de idiomas disponivel como: Russia, Filipinas, China, India, Japão, (dentre outros na Ásia); Angola, Moçambique,  (Africa), Australia (Oceania) e praticamente todos os países do continente EUROPEU  e AMERICANO.

No Brasil, Já registramos acessos em todos os estados e de cerca de 600 municípios do Brasil com uma frequência de cerca de 05 estados por dia com acesso no BLOG. São, em média 200 visitas por dias.
 O blog dispõe de quase tudo sobre São Francisco Xavier. São 105 páginas e 220 outras publicações exclusivas sobre a história do santo jesuita, padroeiro das missões. Algo inédito.
Dispõe de quase 300 imagens (fotos) sobre a iconografia xaveriana.

Os assuntos principais são: Biografia, Milagres,  Iconografia, Orações e devoções, Hinos,  Frases, Cronologia, palestras, videos, filmes, Relíquias, Livros, Cartas relíquias escritas pelo santo, padroado pelo mundo, etc.
Visualizações de página
Visualizações de página de hoje
101
Visualizações de página de ontem
132
Visualizações de página do mês passado
3.309
Histórico de todas as visualizações de página
99.999


principais países:

Brasil
54642
Estados Unidos
26712
Portugal
5232
Região desconhecida
2083
Espanha
1827
França
632
Moçambique
389
Angola
380
Rússia
281
Alemanha
246

As publicações do blog são compartilhadas para PÁGINA E GRUPO DE SÃO FRANCISCO XAVIER NO facebook que já tem 21.450 membros que interagem diariamente e compartilham as publicações. Enfim! são milhares de pessoas tendo acesso a informações sobre o TESTEMUNHO DE SANTIDADE do maior missionário da Igreja Católica.

Testemunho do autor Arôvel: "Fico imensamente feliz por contribuir com a missão de São Francisco Xavier para esta continue por todo o tempo, servindo para a  conversão de mais pessoas para Cristo, tal qual foi para mim, em 2011, quando conheci a história deste santo pela leitura disponiveis na internet. A minha mudança foi radical, de católico "frio" para praticante, ativo nas ações pastorais e missionárias da Igreja comunitária, paroquial e Diocesana."

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Compromissos "votos" dos membros da Confraria dos Devotos de São Francisco Xavier



Ao querer fazer parte da Confraria o membro deve comprometer-se a:

1.    Estudar a vida de São Francisco Xavier.  Ou seja, adquirir livros ou ler também via Internet a Biografia e as cartas de São Francisco Xavier,  dentre outros.
2.    Viver a missionariedade, seguindo o exemplo do nosso padroeiro.  Estimula-se que se faça missão nas famílias e comunidades menos evangelizadas.
3.    Ou, se não poder fazer missões na comunidade ou Paróquia, que contribua para outros irem em missão, doando um pequeno valor para as Congregações missionarias, especialmente a Congregação dos Missionários XAVERIANOS (que tem o Carisma do nosso padroeiro);
4.    Rezar constantemente pelas missões Paroquias e Ad Gentes;
5.    Propagar a devoção a São Francisco Xavier,  seja por meio de palestras, peregrinações com a imagem, ou mesmo nas redes sociais, contanto que mais pessoas conheçam o testemunho de santidade de S. Francisco Xavier ;
6.    Formar pequenos grupos na Comunidade ou Paróquia para ESTUDAR e CELEBRAR a vida do Santo, e principalmente realizar a animação missionária com evangelização concreta;
7.    Realizar as práticas devocionais.
*em vermelho: Obrigatório para os membros da Confraria.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Angiró: Primeiro Japonês convertido e batizado por São Francisco Xavier





Ângelo vai contar-nos, ele mesmo, como a divina Providência o levou ao conhecimento do Cristianismo e ao desejo de abraçá-lo.
           
PAULO ÂNGELO, PRIMEIRO CRISTÃO JAPONÊS AOS PADRES E IRMÃOS DA COMPANHIA DE JESUS EM ROMA   

Goa, 27 de Novembro de 1548.

Que a paz e a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo sejam convosco! Amem.
Já que foi do agrado daquele que me criou procurar-me como a ovelha perdida no meio das trevas, para me chamar à luz do seu Evangelho arrancar-me das prisões da morte e dar-me a liberdade e a vida, julgo-me obrigado a recorrer a vós todos para render a sua divina Majestade ações de graças proporcionadas aos grandes favores com que a sua misericórdia infinita se dignou agraciar-me.
Compenetrado e confundido pela minha incapacidade, peço-vos, meus queridíssimos irmãos, que suprais a minha indignidade, e para vos convencer dela, vou expôr-vos aqui os meios extraordinários pelos quais o Pai celeste me conduziu ao grêmio da Igreja do seu Filho único e muito amado.
Estando ainda no Japão, há já alguns anos, e perseguido por inimigos pessoais que conspiravam contra a minha vida, refugiei-me num convento de bonzos.
Um navio português veio ao mesmo tempo fundear no porto, próximo do qual se achava situado aquele convento.
Era precisamente o navio de Álvaro Vez que outrora conhecera, e que se apressou em oferecer-me um asilo a bordo; porém, como os seus negócios o demorariam naquele ancoradouro por muito tempo, para a minha segurança teve a bondade de escrever a um dos seus amigos que estava num porto muito afastado, rogando-lhe que me recebesse.
Munido daquela carta, despedi-me de Álvaro, e parti imediatamente para o porto em que devia encontrar Fernando Álvares, a quem era dirigida a recomendação de que eu era portador. Cheguei ali de noite, e por engano remeti a carta a Jorge Álvares, capitão dum outro navio, que me recebeu com amizade, dizendo-me que me levaria consigo e me apresentaria ao reverendo Padre Francisco Xavier, seu amigo íntimo. Consenti nisso.
Durante a viagem, quer fosse para me familiarizar com a idéia de ver o Padre e inspirar-me de antemão estima e afeição por ele, quer fosse para me dar algumas noções do Cristianismo, Jorge, encaminhava sempre a conversação para Xavier, para as suas virtudes suas grandes ações e efeitos maravilhosos da sua palavra.
Em resultado disso, concebi dois ardentes desejos: o primeiro de conhecer pessoalmente o ilustre e santo personagem, cujas virtudes e encantos me eram exaltados em termos tão magníficos, e o segundo de estudar seriamente uma religião que produz homens tão perfeitos.
Achava-me já tão convencido da verdade daquela religião, que me teria deixado batizar logo que cheguei a Malaca, se o senhor vigário geral não tivesse rosto no meu casamento um obstáculo àquela graça, por isso que não me devia ser permitido, depois de batizado, viver com uma mulher idólatra. Causou-me isso um grande desgosto, mas a este desprazer se acrescentou um outro não menos pungente.

Não desanimar nas dificuldades: tente denovo - Eu viera ver o Padre Xavier e ele achava-se ausente! A porta da Igreja era-me fechada, e aquele que teria podido acalmar e adoçar a minha dor não estava ali!
Desconsolado, desanimado, resolvi voltar para o Japão: a monção era favorável embarquei em um navio que devia deixar-me num porto da China, distante somente duzentas léguas da minha pátria. Cheguei àquele porto e ali encontrei um barco que partia para o Japão; passei para ele, e fazendo-se à vela em seguida, contava tornar a ver o meu país com seis ou sete dias de navegação.
Mas Aquele que governa tudo e que dirige as coisas de modo que fiquem cumpridos os seus desígnios, me levou de novo ao ponto donde tinha partido, por meios que só d'Ele são conhecidos.
A vinte léguas das costas do Japão (= a 120 km), uma tempestade das mais violentas ameaça-nos dos maiores perigos durante quatro dias, e acaba por lançar-nos sobre as costas da China, que havíamos deixado.
O perigo que eu acabava de passar, trouxe-me muito sérias reflexões. Achava-me fatigado, inquieto, ralado de remorsos, quando vejo dirigir-se para mim Álvaro Vaz Foi grande a sua surpresa por me encontrar na China, quando me supunha em Malaca.
Contei-lhe as minhas aventuras, e o perigo pelo qual acabava de passar e de escapar-me; achava-me ainda todo molhado e coberto de espuma do mar. Ofereceu-me de novo o seu navio e convenceu-me a tentar ainda a viagem para Malaca.
Lourenço Botelho uniu-se a ele, e ambos me asseguraram que eu ali encontraria o Padre Francisco Xavier, que ele me consolaria de todos os meus desgostos e sofrimentos, que me instruiria, me batizaria, me poria no seminário de Goa e me faria ir depois para o Japão com os Padres da sua Companhia.
Segui os seus conselhos e voltei com eles a Malaca. A primeira pessoa que vi quando desembarquei, foi Jorge Álvares! Experimentamos grande alegria por nos tornarmos a ver, e no mesmo instante ele me levou à catedral, onde o Padre Xavier abençoava um casamento. Depois da cerimônia, o capitão apresentou-me a ele, dizendo-lhe quem era e por que vinha.
Atento e com os olhos fixos no Padre Xavier, vi o seu amável semblante expandir-se numa grande e santa alegria. Depois voltando-se para mim olhou-me ternamente, falou-me com tanta doçura e testemunhou-me tão grande afeto, que me cativou o coração, e julguei-me muito feliz por ver a minha extrema ternura tão completamente correspondida! Na sua comovedora voz, e na doce expressão, reconheci a divina Providência, admirei o seu poder, e adorei os seus impenetráveis decretos!

Preparação do ateu a evangelizador em terra pagã - O Padre Xavier destinou-me desde logo para o seminário de Goa; mas não permitindo a sua visita aos cristãos de Comorim acompanhar-me, enviou-me antes dele, no navio de Jorge Álvares. Ele seguiu-nos de perto, porque nós chegamos no dia 1 de Março, e ele a 4 ou 5 do mesmo mês [essa data pode ser 20 de março, segundo alguns pesquisadores]. Parecia que os ventos e o mar se combinavam para satisfazer os meus desejos.
Eu suspirava por ele e suspirava ao mesmo tempo pelo batismo, e os meus votos foram bem depressa cumpridos. Ele chegou; a minha instrução concluiu-se no colégio, fui batizado na manhã do Pentecostes, com os dois domésticos que me haviam acompanhado do Japão.
É esta a minha história. Espero que com a graça de Jesus Cristo, Senhor e Criador, de todas as coisas nosso Redentor, que sofreu e morreu na cruz para nos salvar, ela reverta não somente em meu proveito pessoal, mas também em glória de Deus, na propagação da fé e em honra de toda a Igreja.
Quanto a mim julgo-me bem recompensado de todos os meus sofrimentos! Gozo do maior bem que jamais ousava esperar. Cada dia a fé enche a minha alma de nova luz; a verdade e a santidade do Evangelho desenvolvem-se cada vez mais a meus olhos; os benefícios com que tenho sido favorecido, aqueles que constantemente recebo as alegrias, as consolações de que a minha alma se acha cheia, tornam-me palpável, para assim dizer, o que eu não podia entrever.
Parece-me que adquiri uma vida nova, novas faculdades, e, finalmente, que Deus me criou de novo. Aprendo o que me ensinam com uma rapidez que me admira e me confunde. Foi-me necessário tão poucos dias para eu ler e escrever em língua portuguesa, que a aninha inteligência parece um prodígio que me faz espantar.
Decorei textualmente palavra por palavra, toda a explicação do Evangelho de São Mateus que o Padre Cosme de Torres me repetiu por duas vezes, e traduzi-a em língua japonesa.
O Padre Xavier propõe-se ir para o Japão e promete associar-me aos seus trabalhos.
Orai, meus irmãos! rogai a Deus que se digne abençoar-nos. Pedi para mim um reconhecimento, uma gratidão proporcionada aos benefícios que tenho recebido! eles são tão grandes que Deus se verá, para assim dizer, obrigado a dar-me forças para sofrer a morte confessando o seu santo nome, para não me deixar na necessidade de ser ingrato.
O meu coração diz-me que não morrerei sem ter visto no Japão um colégio da vossa Companhia para o progresso da fé e para glória de Deus, pela qual eu sou, meus Padres, vosso servo.
Paulo de Santa-Fé.    
Depois do seu batismo, pedira Paulo Ângelo a Xavier permissão para usar o apelido de Santa-Fé, em memória do colégio onde encontrara a felicidade; autorizado pelo santo apóstolo adotou aquele nome e não o deixou nunca.
Um dos seus domésticos chamou-se João e o outro Antônio; eles imitavam perfeitamente seu amo no fervor da sua piedade e na prática de todas as virtudes cristãs.


A tática de São Francisco Xavier para converter um bravo jogador de Xadrez




Fernando era um jogador desenfreado. Xavier mostrava interessar-se muito nos seus jogos, e, ouvindo-o jurar e blasfemar, um dia em que perdia consideravelmente, disse-lhe com a mais agradável expressão
- O jogo exige presença de espírito, senhor Alvarez; tende confiança, que não perdereis até ao fim se vos portardes bem.
- Que quereis, meu Padre, eu não sou senhor de mim, respondeu o fogoso soldado, cuja brutalidade se tornara proverbial.
Na manhã seguinte, reconhecendo o nosso Santo a estima que Fernando Alvarez já sentia por ele, julgou chegado o momento. Passou o seu braço pelo daquele homem de guerra, e no tom mais insinuante, disse-lhe em voz baixa, arrastando-o para a ponte.
- Senhor Fernando, eu sou muito curioso e desejo muito saber uma coisa que somente vós me podeis dizer.
- Falai, meu Padre.
- Pois bem! dizei-me se vos confessastes antes de partir.
- Oh! há já muito tempo que me não ocupo disso, meu Padre.
- Como! bravo como sois, o primeiro sempre na brecha, sempre exposto a ser o primeiro morto, quereis comparecer na presença de Deus com uma consciência tão pesada? Qual é o vosso pensamento?
- Meu caro Padre, julgo que não sou uma boa presa, porque quis confessar-me uma vez, antes de partir para o inimigo, e o vigário rejeitou-me sob pretexto de que me não achava preparado; creio que ele teve repugnância de mim.
- Ora bem! mas eu, que não tenho tal repugnância, quero confessar-vos, Senhor Fernando; não quero que um turco vos mate e lance a vossa alma ao inferno.
- Vós não sabeis a que vos comprometeis, meu Padre!... O negócio é de muita dificuldade...
- Não obstante isso, senhor, deixai-me preparar-vos para fazer uma boa confissão, e vereis que não será mais difícil para vós do que tem sido para tantos outros.
- Fernando não resistiu mais; ouviu o nosso apóstolo, deixou-se subjugar pela sua meiga e poderosa palavra, e prometeu-lhe confessar-se no porto de Coulão, dó qual se achavam próximos. Logo que ali chegaram, Francisco Xavier desembarcou com ele e confessou-o numa floresta que bordava o litoral.
- Meu Padre, disse Fernando, inspiraste-me um tão grande remorso pela minha desregrada vida, que podeis impôr-me a mais rigorosa penitência; prometo-vos fazer tudo que quiserdes para expiação dos meus pecados.
Mas o santo apóstolo impôs-lhe somente a recitação de um Pai Nosso e de uma Ave Maria e tão grande foi a admiração de Fernando, que exclamou:
- Por quê, um Pai Nosso e uma Ave-Maria por esta confissão de soldado? E que quereis, pois, que eu espere depois de ter ofendido tanto a Deus, sem que me seja imposta, e eu cumpra, uma penitência proporcionada, quanto possível, à gravidade dos meus pecados?
- A misericórdia de Deus é infinita, meu amigo, tende confiança; quanto à sua justiça, nós a aplicaremos, eu o espero, respondeu-lhe Xavier com aquela inefável doçura com que tanto se fazia amar.
Depois, internou-se na floresta, enquanto Fernando cumpria asna penitência, e ali, como em Cranganor, martiriza-se àsperamente com a disciplina que trazia sempre consigo. Fernando ouve e adivinha o seu pensamento; corre para ele, arranca a disciplina de suas mãos, despe-se até à cintura e bate em si até fazer sangue, porque vira correr também o sangue do santo Padre.
- Meu Padre, meu caro Padre, fui eu que pequei e vós castigais-vos! disse ele em lágrimas.
Francisco Xavier abraça-o muitas vezes, feliz por o ver numa disposição cuja perseverança previa.
- Agora vos confesso, lhe diz ele, que embarquei somente por vossa causa. Quis dar a vossa alma a Deus e tive esta consolação; deixo-vos com a esperança de que sereis fiel à graça que acabais de receber. Prossegui na vossa viagem; eu volto a Goa e não vos esquecerei diante de Nosso Senhor!
Depois da expedição de Adém, Fernando entrou numa Ordem religiosa onde viveu e morreu santamente.

Momento de oração e êxtase de São Francisco Xavier



 Todos aqueles afazeres não lhe impediam de consagrar cada dia duas horas, depois do jantar, à oração. Retirava-se para a torre do campanário a fim de não ser perturbado, e um jovem seminarista, chamado André, era incumbido de adverti-lo quando expirassem às duas horas; durante este tempo 0 nosso Santo absorvia-se em Deus.
Um dia, André foi adverti-lo, com escrupulosa pontualidade, que o vice-rei lhe concedera uma entrevista, mas Francisco Xavier não o ouve; achava-se sentado em um banco de madeira, com as mãos cruzadas sobre o peito, os olhos fixos no céu e completamente imóvel. André contempla-o por um instante com admiração; nunca vira coisa que se pudesse comparar com aquela bela e estática figura. Saltam-lhe lágrimas dos olhos, o seu desejo é conservar-se ali de joelhos junto do santo Padre, que lhe parece uma visão celeste; porém Xavier era esperado pelo vice-rei, e tendo-lhe ordenado que o interrompesse naquela contemplação, forçoso era obedecer-lhe:
- Meu Padre! disse ele finalmente, meu Padre! Vós tendes de ir ao palácio do vice-rei, que vos espera.
Francisco Xavier não se move; seu olhar conserva-se na mesma fixidez, na mesma expressão de santidade; só o seu corpo toca a terra, toda a sua alma está com Deus! André não ousa insistir e retira-se respeitosamente, penetrado de venerarão.
Duas horas depois, volta para junto do santo apóstolo, que encontra na. mesma posição e na mesma contemplação. André vê-se forçado desta vez a chamá-lo para terra, e depois de tê-lo despertado em vão, muitas vezes, toma a liberdade de tocar no seu braço e de sacudi-lo fortemente!
Como, disse-lhe docemente Xavier, passaram já às duas horas?
- Quatro, meu Padre.
- Vamos, pois, imediatamente, ao palácio do vice-rei.
E sai logo levando André consigo, mas à porta do colégio de novo arrebatado e impelido a voltar, diz-lhe
- Deus quer que este dia seja somente para ele; iremos amanhã à casa do vice-rei.
Vimos já no decurso desta história que semelhantes arrebatamentos se repetiam várias vezes no ilustre apóstolo das Índias, e que as mais violentas tempestades e os gritos de desesperação dos passageiros não o distraíam, por um instante sequer, das suas comunicações com Deus, e eles diziam então
"É certo que a tormenta cessará, porque o Padre Francisco está com Deus!"
Durante a sua residência em Goa, retirava-se o nosso Santo, de ordinário, para um pequeno oratório ou capela colocada no fundo do jardim do Colégio e, ali, Deus o cumulava de tais delícias, que muitas vezes o ouviam pedir que moderasse os seus favores.
- É demais! Senhor, é demais! exclamava ele.
E entreabria a batina, saía da capela, passeava no jardim e procurava refrescar o peito incendiado pelo fogo divino que o abrasava! Julgava-se só, ou antes, esquecia a terra a ponto de supor que eles não viam e deixava escapar do seu coração aquele grito de amor que lhe era habitual e que repetia até durante o curto sono:
"Oh! Jesus! amor do meu coração!"
O grande Xavier, já o dissemos, queria conquistar o Japão, queria conquistar a China e teria querido conquistar o mundo inteiro para o dar à Igreja de Jesus Cristo, e por isso carecia de estar constantemente com Deus para haver, às mãos cheias, os tesouros da sua misericórdia, todas as bênçãos que desejava para as suas magníficas empresas. Carecia também de estar continuamente com ele, a fim de lhe testemunhar o seu ardente amor e o seu imenso reconhecimento pelos favores tão extraordinários com que o havia beneficiado.
Assim, parecendo-lhe insuficiente o dia, quando chegava a noite, que era para todos, a hora do repouso, Xavier, que não queria para si outro descanso que o do Céu, e a quem Deus concedia forças sobre-humanas, saía furtivamente do seu quarto, descia à igreja, e ali ficava absorto, algumas vezes até à manhã do dia seguinte.
Acontecia outras vezes, que a natureza reclamando os seus direitos, uma imperiosa necessidade de dormir se apoderava do santo apóstolo; mas sempre que isto lhe acontecesse, retirava-se triste, lamentando a sua fraqueza; muitas vezes, porém, não se podia resignar a afastar-se da doce presença do divino Salvador. Então, com o amor e o abandono dum filho querido que dorme nos braços maternos, deixava-se dormir sobre os degraus do altar e o mais próximo possível d'Aquele a quem amava.
Depois de alguns momentos de sono, voltava de novo às suas orações, e várias vezes, quando de manhã os Padres entravam na igreja o encontravam em êxtase, com o rosto iluminado, o corpo elevado acima do solo, e sustentando-se, por virtude divina, a uma grande altura.

Êxtase na missa: O corpo São Francisco Xavier elevava-se quando dava a comunhão aos fiéis




Todas as vezes que administrava a sagrada comunhão dobrava os joelhos e muitas vezes o viram comungar assim os fiéis, com os joelhos dobrados, mas não tocando a terra; conservava-se em bastante elevação acima do solo para que o prodígio não pudesse ser constatado por algum dos assistentes; então o seu semblante irradiava uma luz deslumbrante. Este duplo prodígio foi em Goa conhecido do público muitas vezes.
Compreende-se, por isso, o empenho que cada um teria em assistir à missa do santo Padre, e a consolação que se gozava em receber dele a sagrada comunhão; compreende-se a confiança e a veneração que ele inspirava; a sua chegada era sempre uma festa; a sua partida causava sempre dilacerante dor.