terça-feira, 1 de janeiro de 2019

A Ordem Religiosa de São Francisco Xavier

Desde o início das atividades da Ordem, os jesuítas demonstraram que vieram para contra-atacar a heresia existente.  O grupo fundador conseguiu harmonizar a formação espiritual e intelectual, de tal forma que conciliou a resistência física necessária ao desempenho das missões em terras longínquas e carentes de tudo, com a habilidade de estudar e conviver com as autoridades locais e colonizadores. Todos receberam noções de política, administração e finanças. Com grande capacidade de inculturação, estavam sujeitos a doenças desconhecidas resultantes de alimentos estranhos.  Carentes de transporte e estradas, adentravam pelas matas e sertões percorrendo trechos intermináveis, geralmente a pé enxuto, atravessando pântanos e rios em busca de nativos e colonos dispersos.  Em um só dia eram capazes de caminhar até quarenta quilômetros. Seguindo a orientação do provincial, concentravam esforços em primeiro educar os filhos dos nativos e os colonizadores portugueses ignorantes nas regiões do Oriente, bem como silvícolas, mamelucos e escravos na colônia do Brasil.  Estavam  convictos que a educação permitiria desenvolver a fé. Foram incansáveis nas missões.
Cultos por excelência, esforçavam-se em dominar a língua nativa e souberam incomodar as autoridades, implantando pacificamente, o medo e, através do poder da cultura, sobrepor a intolerância do poder.  Apesar de humildes, sobressaíam na intelectualidade de um Valentin Stansel, estudioso do Brasil através de suas publicações Mercurius Brasilius Uranophilus Caelestis Peregrinus.
Conscientes de que o conhecimento os conduzia à fé, já tinham no colégio em Salvador, uma biblioteca que ultrapassava 3500 volumes no fim do século XVII, onde poderia ser encontrado publicações do alemão, jesuíta e matemático Cristóvão Clávius cujos importantes trabalhos tais como a reformação do calendário gregoriano e a descoberta da segunda maior cratera da Lua, o fêz ser considerado o Euclides do século XVI.  Nem mesmo o mecanismo de circulação sanguínea escapou de seus estudos conforme pode ser encontrado nos trabalhos do jesuíta português Francisco Soares Lusitano. Dos colégios jesuíticos da colônia saíram os melhores   artífices e construtores da época.
Colaboração: Ubirajara de Carvalho

S. Francisco Xavier e os Paravás: um caso de amor

Os Paravás, um caso de amor

Situado a cerca de mil quilômetros ao sul do Sri Lanka, disperso desde o Camorim até a Ilha de Manar, Xavier encontrou um povo esquecido que vivia de promessas desde quando receberam o batismo acreditando ter, a partir de então, a proteção dos portugueses contra os árabes e hindus, o que nunca aconteceu até a chegada de Xavier. Habitando a Costa da Pescaria, tão inóspita e pobre, os paravás eram uma subcasta tão abandonada que nenhum português ou espanhol conseguiu se fixar lá.  Evangelizá-los, corretamente, só foi possível com a chegada do jesuíta Francisco Xavier.
Ele encontrou um povo sem instrução, dócil e cheio de medo, dominado pelos rajás do interior e explorados pelos atravessadores maometanos chegados do mar e pela elite hindu do interior. O jesuíta sentiu o jogo de interesses reinante, tal como encontramos hoje o nosso Brasil.  Com certa frequência tomou conhecimento da matança que acontecia, por vezes, quando um pescador revoltado sequestrava e matava um explorador. A vingança era imediata, matavam os pescadores, mulher e filhos, obrigando outros a fugirem para se salvar. Felizmente, Xavier com sua doçura e carisma, foi conquistando a todos, especialmente as crianças que não resistiam aos seus encantamentos e, por extensão, os adultos que se aproximavam por medo da vingança árabe. Na época da colheita nos bancos de ostras, juntavam cerca de 7.000 pescadores.  Desenvolviam um trabalho de alto risco, mergulhando a mais de 10 metros de profundidade. Tampavam os ouvidos e as narinas com cera, uma pedra atada no pescoço, uma cesta na cintura e uma faca nos dentes. Mergulhavam cerca de 50 vezes ao dia, permanecendo três minutos para voltar à superfície sem ar, muitos expelindo sangue e alguns com espasmos para morrerem a seguir. No pico da estação de pesca a fiscalização apertava, pois além do tributo ao rei, apareciam os gananciosos intermediários que sobretaxavam os pobres pescadores. O trabalho de Xavier fez os paravás abandonarem as tradições hindus e uma massificação da fé ocorreu.
O missionário conseguiu o impossível, criando uma comunidade sólida na fé, abrangendo todos os povoados. Sentindo a aceitação dos ensinamentos de Cristo mesmo sem falar a língua nativa, tratou de traduzir o catecismo para a língua nativa (tâmil), o que resultou em sucesso total, pois celebrava na língua nativa, abandonando o idioma latino. Batizou cerca de 40.000 nativos, deixando cristãos espalhados por toda a Costa da Pescaria.
Entretanto, conquistar os paravás não foi tão fácil assim, pois Xavier caminhava descalço, de aldeia em aldeia e com os pés e as pernas inchadas e narinas cheias de pó.  Alimentava-se mal, uma única vez ao dia de pão e água ou um punhado de arroz sem tempero.  Eventualmente, ofereciam um peixe assado ou cozido e a sua chegada em cada vilarejo era um acontecimento.
Na Costa da Pescaria, Xavier proporcionou saúde a muitos moribundos e ressuscitou vários mortos. A qualquer boato ou notícia firme de ataque dos badegás contra os paravás, Xavier revoltado clamava …  Ó Jesus, acuda meus queridos paravásArriscou a vida inúmeras vezes na defesa desse povo.  Ele ergueu choupanas com um tosco altar chamadas cabanas capelas onde orava fervorosamente. Ao retornar para Goa levou consigo vários paravás que desejavam tornar-se sacerdotes.
Colaboração: Ubirajara de Carvalho

Os "filhos" de São Francisco Xavier firmes na fé

costa da pescaria

Os paravás[1] batizados e evangelizados pelo missionário Francisco Xavier na Costa da Pescaria[2] tinham verdadeira paixão pelo jesuíta. Eles foram os que mais conservaram a fé dentre todos os povos indianos. Quando os holandeses assumiram a Costa da Pescaria auxiliados pela ação maléfica do Marques de Pombal, os missionários cristãos embrenharam-se nas florestas e, ocultamente, continuaram a exercer seu ministério cristão atendendo os paravás.  Eles compareciam em massa todos os domingos na floresta para assistirem a santa missa às ocultas.
Convencidos de que ganhariam os paravás, e preocupados com a ausência de plateia nas pregações, os novos colonizadores mandaram vir um ministro protestante da Batávia[3] tido como de grande eloquência. O chefe dos paravás ouviu humildemente a fala do holandês que por três horas seguidas expos  as vantagens da sua doutrina. No final e já fatigado, perguntou ao nativo sobre o que pensava do exposto e recebeu a resposta:
–  A fé que nós professamos foi-nos pregada pelo grande padre Francisco Xavier que operava tantos milagres quantas palavras proferia. Se vós quereis fazer-nos crer a vossa doutrina, tente superar maior número de milagres do que ele fez.
A seguir começou a enumerá-los:
_  Ele ressuscitou três mortos aquí e curou muitos dos doentes na Costa da Pescaria e em Travancor. Lá em Malaca, dizem e confirmam que, logo após seu corpo chegar na cidade, a peste parou. Citam que mais de 800 milagres ocorreram por lá no ano seguinte.  Faça mais do que ele fez para eu acreditar em ti.
O missionário holandês sentindo que perdia o seu tempo, agradeceu e embarcou de regresso.

[1] Povos da Índia
[2]  “Costa de Pescaria”, na costa este do Sul da Índia, a norte do Cabo Comorim, território dos paravás.
[3] A Batávia é uma região histórica nos Países Baixos.
Colaboração: Ubirajara de Carvalho

Sâo Francisco Xavier: O dom de línguas no Reino de Travancor nas Índias

Em fins de junho de 1544 Xavier chegava a Coimbatur e falava ao povo quando vieram trazer ao sacerdote as más notícias sobre os queridos paravás. Os badegás do reino de Visnagar invadiram mais uma vez a Costa da Pescaria, parte meridional do reino de Travancor, e trucidaram vários pescadores paravás e suas famílias. Os badegás espoliavam  os paravás no comércio de pérolas, não concordavam com a matança de peixes por motivos religiosos e perseguiam, constantemente, os pescadores e mergulhadores da Costa.  Muitos conseguiram fugir para a floresta e poucos entraram nas cavernas.  Incontinente, Xavier escreveu ao rei de Travancor, implorando suspender a matança generalizada. Conhecendo a missão de Xavier, o rei atendeu o sacerdote mas não foi obedecido por seus súditos integralmente. Depois de muitas dificuldades Xavier, acompanhado de Vaz Fernandes (cristão do Malabar) entrou no reino convencido que seria massacrado. Iriam se deparar com uma multidão em guerra contra os habitantes da Costa da Pescaria, armados até os dentes. Entretanto, Francisco Xavier lembrou-se  de Jesus em Lc 21,13-15 “Esta será a  ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater”.

A população guerreira cercou o sacerdote para trucidá-lo mas decidiram ouvi-lo no que tinha a dizer. A língua não tinha semelhança com aquelas já conhecidas pelo santo homem. Entretanto, guiado pelo Espírito Santo, ele conseguiu compreender a fala do povo e o protesto;  falou e se expressou na língua local com desenvoltura e conquistou a  todos. Sua fala conseguiu transformar o povo de inimigo em aliado. Aos poucos foram deixando cair suas lanças e escudos e, rapidamente,  toda a Costa de Travancor  foi sendo transformada e evangelizada.  Ele conseguiu  erigir quarenta e cinco igrejas e batizar dez mil pagãos em um mês. Um gigante a serviço de Deus. Aliás, ele foi o gigante português nascido no reino de Navarra e, quando  o Brasil, foi colonizado já era considerado o santo do reino de Portugal e Algarves.
Colaboração: Ubirajara de Carvalho 

Vida e obra de São Francisco Xavier

Francisco Xavier nasce perto de Pamplona, Espanha, a 7 de Abril de 1506, quinto filho de D. João de Jassu, Senhor de Xavier e Ydocin, e de Dona Maria de Azpilcueta e Xavier. Aos 19 anos está em Paris, instalado no Colégio de Santa Bárbara, a estudar Humanidades. Forma-se depois em Filosofia e Teologia pela Sorbonne.
Aí conhece Inácio de Loyola que viria a ser fundador da Companhia de Jesus. Torna-se seu amigo e seguidor.
A 15 de Agosto de 1534, na Capela de Montmartre, faz votos de pobreza e castidade perpétua. Recebe as Ordens Sacras em Veneza a 24 de Junho de 1537, seguindo depois para Roma onde se põe à disposição do Papa para o serviço da Igreja. A 15 de Março de 1540 parte de Roma com destino a Lisboa, onde chega três meses depois.
Enviado pelo Papa Paulo III, era a resposta de Roma aos apelos veementes do Rei de Portugal, D. JoãoIII, preocupado com a evangelização da Índia e a dilatação da Fé no Oriente.
 De Portugal para o Oriente
Chegado a Lisboa, o Pe. Francisco Xavier refugia-se no Hospital de Todos-os-Santos onde de imediato se dedica aos enfermos e ao ensino da doutrina cristã. Ganha em pouco tempo a percepção do universalismo dos portugueses e de Lisboa larga, a 7 de Abril de 1541, na armada das índias, para ser Apóstolo e Santo. Antes da partida, o Rei D. João III entrega-lhe o Breve Papal nomeando-o Núncio Apostólico nas Partes da índia, com amplos poderes para estabelecer e manter a Fé em todo o Oriente.
Depois de uma breve passagem em Moçambique, chega a Goa a 6 de Maio de 1542. Logo se apresta a ir oferecer os seus serviços a D. João de Albuquerque que pastoreia a Diocese de Goa, na altura a mais dilatada da Cristandade. Rapidamente se apercebe de uma vida religiosa local muito precária, e carenciada de assistência. Os pouco mais de dez anos que se seguem até à sua morte, vai vivê-los de forma febril, andando por terra e por mar, sem nunca parar, num frenesim constante a espalhar a palavra Divina, a levar a Boa Nova.
Logo em Outubro de 1542 parte para o Sul da índia a evangelizar os pescadores da Costa da Pescaria. Visita Comorim, Manapar e Tuticorim. Em Outubro de 1543 regressa a Goa. Fundada canonicamente a Companhia de Jesus, o Padre Francisco Xavier é nomeado Superior de toda a Missão da índia Oriental, desde o Cabo da Boa Esperança até à China. Volta à Costa da Pescaria. Visita depois Cochim, Malaca, as Molucas, Macassare, Ceilão. Ensina, baptiza, e concilia príncipes desavindos.
 Morte em Sanchoão
A 15 de Agosto de 1549, via Cochim e Malaca e navegando pelos mares da China, chega a Kagochima, na costa meridional do Japão. De regresso a Cochim envia cartas ao Rei D. João III. Solicita-lhe reforços missionários. Tentando a missionação na China, para lá se dirige a bordo da nau Santa Cruz. Em Singapura volta a escrever a D. João III. Em Setembro de 1552 desembarca na Ilha de Sanchoão, a dez léguas da Ilha de Macau, na China.
Aí adoece gravemente. Sofrendo vertigens e convulsões, minado por febres devoradoras, cheio de privações, morre só e pobre na noite de 2 para 3 de Dezembro de 1552. Havia percorrido milhares de quilómetros, cruzado várias vezes os mares do Índico e do Pacífico, visitado mais de cinco dezenas de reinos, fundado Igrejas, reorganizado as missões.
Exemplo de humildade e de solidariedade cristã, de amor ao próximo e de evangélica pobreza, era venerado por milhões de pessoas de todas as condições sociais, de todas as idades, de todas as etnias. A fama de Santo, o "Santo de Goa", tinha chegado a toda a parte, as suas virtudes eram exaltadas.
Em 17 de Fevereiro de 1553 o seu corpo é removido e levado para Malaca e daqui para Goa, onde chega a 16 de Março de 1554. A recebê-lo, numa impressionante manifestação de Fé, estão o Vice-Rei, o Clero, a Nobreza e o imenso Povo.
 A subida aos altares
A devoção de que já gozava em vida vai crescer extraordinariamente depois da morte. Os seus milagres tornam-se conhecidos.
A 25 de Outubro de 1605 Francisco Xavier é beatificado por Paulo V e Gregório XV canoniza-o a 12 de Março de 1622. A
24 de Fevereiro de 1748 Bento XIV proclama-o Padroeiro do Oriente.
Em 1904 Pio X coloca sob a sua protecção a Sagrada Congregação da Propagação da Fé. Em 1927, Pio XI constitui-o, com Santa Teresa do Menino Jesus, protector de todas as obras missionárias.
O seu corpo repousa numa riquíssima urna de prata, na Basílica do Bom Jesus, na Velha Goa.
Para lá se dirigem todos os anos milhares de peregrinos, crentes e mesmo não crentes, venerando o "Homem Bom", o Apóstolo incansável.
A Igreja festeja-o todos os anos no dia 3 de Dezembro.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Whatsapp: Grupo dos devotos de S. Francisco Xavier

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Grupo de Whatsapp dos devotos de são Francisco Xavier
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

São Francisco Xavier : Orador (êxtase)

São Francisco Xavier : Orador (êxtase): (Orando / em êxtase) Olhos fitos no céu (oração)                                olhos fitos + mãos cruzadas no peito ...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Frases de São Francisco Xavier




"A ausência da cruz é a ausência da vida".... Frase de São Francisco Xavier.



























"A ausência da cruz é a ausência da vida".... Frase de São Francisco Xavier.

Hino a São Francisco Xavier: Peregrino dos Oceanos

Uma música para São Francisco Xavier: Peregrino dos Oceanos

1. Peregrino dos oceanos, 
conquistador do universo, 
sem saber para onde vão 
as caravelas de Deus, 
você sempre foge, 
inflamado pelo que deseja? 
A alma abençoada de Cristo 
te santifica com seu fogo; 
o corpo muito puro de Cristo 
salva você de todo o medo.

2. Instrumento dócil e belo 
nas mãos de seu Deus, 
amando em intensa amizade 
seus amigos no Senhor, 
você está cada vez mais sozinho, 
sedento por qual propósito? 
O sangue precioso de Cristo te 
embriaga ao perder o sentido; 
a água do lado de Cristo 
bebe e limpa você

3. Você age no Espírito Santo 
trazendo tudo de volta a Deus sozinho, 
você age com todo o seu coração, 
entregando-se a si mesmo, 
você age na verdade 
e para ajudar o próximo? 
A paixão de Cristo 
fortalece-te na fé; 
você toma por seu único apoio 
o nome muito doce de Jesus.

4. Lutador sem outra espada 
que não o amor do mais perdido, 
mensageiro de um Deus para todos 
compartilharem como um pão, 
questionando os tesouros enterrados 
que estão faltando no corpo de Deus, 
Seu coração está oculto 
nas feridas de Cristo; 
enxertada nas feridas de Cristo, 
nada pode separar você dela.

5. Despojado de toda honra, 
despedaçado em amor, 
estendido aos horizontes 
onde o sol nasce, 
onde o sol dos sóis 
ainda não se elevou, 
A voz do crucificado o 
convida a viver sua morte; 
a voz do Cristo vitorioso 
diz-lhe para vir a ele.

6. Companheiro do Rei Jesus, 
trabalhador de suas obras, 
santo entre os santos do céu, 
você compartilha de sua felicidade,
tu o seguiste debaixo da cruz, 
ele te recebe perto dele, 
Tu podes louvar sem fim 
o lindo sorriso de Cristo; 
você conquistou a alegria dele, 
a alegria do ressuscitado.