terça-feira, 16 de setembro de 2025

São Francisco XAvier, padroeiro das missões

 

S. Francisco Xavier, presbítero jesuíta, evangelizador das Índias, padroeiro das Missões

S. Francisco Xavier  (© Compagnia di Gesù)

Quarenta e seis anos de vida, dos quais onze em missão. Por este motivo, São Francisco Xavier pode ser considerado um verdadeiro "gigante da evangelização".

Em sua existência breve, mas admirável pela sua fecundidade missionária, este religioso espanhol conseguiu levar o Evangelho ao Extremo Oriente, adaptando-o, com sabedoria, ao caráter e à linguagem de populações muito diferentes entre si. No entanto, a sua existência parece indicar-lhe um percurso de vida diferente.

Encontro com Inácio de Loyola e Pedro Fabro

Francisco Xavier nasceu em 1506, no Castelo de Xavier, em Navarra, norte da Espanha, em uma família nobre: o pai, Juan de Jassu, era presidente do Conselho Real de Navarra.
Em 1525, Francisco foi a Paris para fazer seus estudos universitários; em 1530, tornou-se "Magister Artium", pronto para a carreira acadêmica. Entretanto, deu um passo a mais na sua vida de fé: no Colégio de Santa Bárbara, onde estudava, o futuro Santo conheceu Pedro Fabro e Inácio de Loyola, com os quais de formou em Teologia.
No início, suas relações, sobretudo com Inácio, não foram fáceis, tanto que o próprio Loyola definiu Francisco "o pedaço de massa mais difícil que amassou". Porém, a vocação missionária já havia penetrado no coração de Xavier, que, na primavera de 1539, participou da fundação de uma nova Ordem religiosa, denominada "Companhia de Jesus".

Catecismo "cantado" para crianças

Ao consagrar-se a Deus e ao apostolado, Francisco partiu, no dia 7 de abril de 1541, para as Índias, a pedido do Papa Paulo III, que queria a evangelização daquelas terras, na época, conquistadas pelos portugueses.
A viagem de Lisboa a Goa, com um veleiro, durou uns treze meses, que se tornou fatigante por causa da escassez de comida, do calor intenso e das tempestades.
Quando chegou a Goa, em maio de 1542, Xavier escolheu como casa o hospital da cidade e como cama dormir ao lado do paciente mais grave. Desde então, o seu ministério foi dedicar-se precisamente à assistência dos últimos e excluídos da sociedade: os doentes, os prisioneiros, os escravos, os menores abandonados.
Para as crianças, de modo particular, Francisco inventou um novo método de ensino do Catecismo: pegava-as nas ruas tocando um sininho; depois, ao reuni-las na igreja, traduziu os princípios da Doutrina católica em versos e os cantava com as crianças, facilitando-lhes a aprendizagem.

Evangelização dos pescadores de pérolas

Além do mais, dedicou-se, por dois anos, à evangelização dos pescadores de pérolas, residentes no sul das Índias, que falavam só o Tâmil. No entanto, Francisco conseguiu transmitir-lhes os princípios da fé católica, chegando a batizar 10.000 em apenas um mês. "A multidão de convertidos era tamanha - escreveu – que, muitas vezes, meus braços doíam de tanto batizar e até perdia a voz e a força para repetir o Credo e os Mandamentos na língua deles".
Contudo, a sua obra de evangelização não cessou. Entre 1545 e 1547, Francisco Xavier chegou a Malaca, arquipélago das Molucas, e às Ilhas do Moro, sem se preocupar com os perigos, pois tinha total confiança em Deus.

Chegada ao Japão

Em 1547, a vida do futuro santo teve uma nova reviravolta: encontrou um fugitivo japonês, chamado Hanjiro, ansioso de converter-se ao cristianismo. O encontro suscitou em Xavier o desejo de ir também ao Japão, para levar o Evangelho à terra do "Sol levante". Ali chegou em 1549 e, embora soubesse da pena de morte em vigor para quem administrasse o sacramento do Batismo, o religioso espanhol conseguiu fundar uma comunidade de centenas de fiéis.

O "sonho" da China

A passagem do Japão para a China foi quase natural. Xavier encarou o "País do Dragão" como uma nova terra de missão.
Em 1552, conseguiu chegar à ilha de Shangchuan, de onde tentou embarcar para Cantão. Mas, foi acometido por uma febre imprevista. Extenuado pelo cansaço e pelo frio, Francisco Xavier faleceu na madrugada no dia 3 de dezembro. Seu corpo foi depositado em um caixão cheio de cal, sem nem mesmo uma cruz como lembrança.
Dois anos depois, seu corpo, íntegro e intacto, foi trasladado para a igreja do Bom Jesus de Goa, onde é venerado. Uma das suas relíquias - o antebraço direito – encontra-se conservada na igreja de Jesus, em Roma, desde 1614.

Canonizado em 1622

Francisco Xavier foi beatificado por Paulo V, em 1619, e canonizado por Gregório XV, em 1622.
Foi proclamado Padroeiro do Oriente, em 1748; da Obra de Propagação da Fé, em 1904 e de todas as Missões (juntamente com Santa Teresa de Lisieux), em 1927.
Seu pensamento pode resumir-se em uma oração, que ele sempre rezava: "Senhor, eu vos amo, não porque me podeis dar o céu ou me condenar ao inferno, mas porque sois meu Deus! Amo-vos porque vós sois vós"!

sexta-feira, 23 de maio de 2025

SÃO FRANCISCO XAVIER NO JAPÃO

Luz e Sombra de Nagasaki

São Francisco Xavier e as raízes do cristianismo no Japão

27 de agosto de 2015

Ao chegar ao Japão em 1549, o padre jesuíta Francisco Xavier desempenhou um papel fundamental na expansão inicial do cristianismo no país. Seu trabalho missionário incluiu pregações em Hirado, no noroeste da atual Prefeitura de Nagasaki, onde o cristianismo se enraizou com mais firmeza e os "cristãos ocultos" preservaram a fé durante séculos de proibição. Hoje, Hirado abriga inúmeras igrejas históricas, testemunhando a influência duradoura dos missionários espanhóis e portugueses.

Francisco Xavier no Japão
A chegada do padre jesuíta Francisco Xavier (1506-1552) a Hirado no verão de 1550 marcou uma importante reviravolta histórica para a remota ilha de Kyushu, que se tornou um centro do cristianismo no Japão. O missionário espanhol desembarcou em Kagoshima em 1549, antes de se mudar para Hirado, no noroeste da atual Prefeitura de Nagasaki, onde passou dois anos e três meses pregando o cristianismo no Japão.

Diz-se que Xavier conseguiu converter cerca de 100 japoneses ao cristianismo em Kagoshima, descobrindo pontos de semelhança entre os ensinamentos cristãos e o budismo. No entanto, após saber que um navio português havia chegado a Hirado em junho de 1550, viajou para a ilha em julho do mesmo ano, acompanhado pelo Padre Cosme de Torres e outro missionário, Juan Fernandez.

A missão em Kagoshima foi deixada para o primeiro cristão convertido do Japão, Anjirō (também conhecido como Yajirō e mais tarde como Paulo de Santa Fé), que ajudou a impulsionar a viagem de Xavier ao Japão. Os dois homens se encontraram em Malaca (hoje na Malásia), uma cidade fortificada que era um centro de comércio internacional na época. Embora existam poucas evidências confiáveis ​​sobre a vida de Anjirō, acredita-se que ele tenha fugido para o exterior em um navio português após cometer um assassinato em Kagoshima. Ele retornou com Xavier em 1549.

Uma estátua de Francisco Xavier na Igreja Memorial de São Francisco Xavier em Hirado.

Solo Frutífero

Diz-se que Xavier conquistou mais adeptos em apenas 20 dias de proselitismo em Hirado do que em um ano inteiro em Kagoshima. Em janeiro de 1551, a primeira igreja do Japão foi construída na ilha, cujas ruínas estão no Parque Sakigata, perto do restaurado Posto Comercial Holandês.

Enquanto isso, Xavier partiu para Kyoto em outubro de 1550, buscando uma audiência com o imperador, onde solicitaria permissão para pregar o cristianismo em todo o Japão — mais uma prova de seu sucesso em Hirado. Ele viajou para Kyoto via Yamaguchi junto com os missionários Fernandez e Bernardo, mas o tumulto do período dos Reinos Combatentes (1467-1568) havia deixado a antiga capital em ruínas. Ao descobrir que o imperador era uma figura de proa impotente, Xavier, desiludido, retornou a Yamaguchi. Durante esse período, Torres assumiu a responsabilidade pelo trabalho missionário em Hirado.

Xavier foi autorizado a usar um templo budista abandonado em Yamaguchi, onde pregou por vários meses. Documentos históricos afirmam que ele converteu mais de 500 japoneses nos seis meses anteriores a março de 1551. Uma visita a Hirado em abril provavelmente esteve relacionada à construção da igreja ali.

Para a Índia e a China

Em setembro de 1551, um navio português chegou à província de Bungo (atual Prefeitura de Oita), em Kyushu. Xavier viajou para lá para ouvir notícias das missões jesuítas na Índia. Concluindo que era mais necessário na Índia do que no Japão, embarcou imediatamente no navio português.

Esse foi o fim da estadia de Xavier no Japão, mas o país permaneceu em sua mente. Percebendo a influência da cultura chinesa no Japão, ele decidiu se mudar para a China e buscar convertidos lá. Chegou à ilha de Shangchuan em setembro de 1552, mas não conseguiu chegar ao continente, falecendo em 3 de dezembro de doença agravada pela exaustão física e mental. Ele tinha 46 anos.

Alguns dos missionários que viajaram para o Japão com Xavier continuaram suas atividades evangélicas, mas poucos anos após sua morte, começou a perseguição e execução de cristãos portugueses, espanhóis e japoneses.

Jesuíta japonês Sebastian Kimura

À medida que o cristianismo se espalhava, sua influência passou a ameaçar o domínio do budismo e o próprio poder do governo central, resultando em hostilidade e perseguição. Diz-se que a primeira mártir cristã no Japão foi Maria Osen, uma mulher de Hirado que foi executada em 1559 após desobedecer à ordem do marido de não adorar a cruz.

O mais famoso dos mártires de Hirado, no entanto, foi Sebastian Kimura (1565-1622), que se tornou o primeiro padre católico japonês. A família Kimura havia sido instruída por Matsura Takanobu, o daimyō de Hirado, a hospedar Xavier quando ele chegasse à ilha em 1550. Uma tradução de escrituras bíblicas selecionadas, concluída enquanto Xavier estava em Kagoshima, causou forte impressão no chefe da família Kimura, que estava entre os primeiros 100 habitantes de Hirado a serem batizados, recebendo o nome cristão de Antonio.

The descendants of Antonio Kimura were closely connected with the subsequent history of Christianity in the area. Antonio’s grandson Sebastian was born in 1565 and baptized at an early age. When he was 12, he became an assistant to a Catholic priest, performing a similar role to Buddhist novices of the day.

Despite the initial reluctance of the Jesuits to appoint Japanese priests, by around 1580 they had come to see the importance of engaging locals in furthering their evangelizing mission. In 1585, at the age of 19, Sebastian Kimura joined the Society of Jesus.

Just two years later, on July 24, 1587, shortly before completing the reunification of Japan, warlord Toyotomi Hideyoshi issued the Edict of Expulsion, forcing the Jesuits out of Kyoto and other locations. While some went to India, others retreated to Hirado or Nagasaki, which were overwhelmingly Christian. Here regional leaders and even daimyōs had been baptized, and it would be many years before the expulsion edict was successfully enacted in these areas.

Monument to the Hirado martyrs.

Under these circumstances, Sebastian Kimura continued his learning in such refuges as Shimabara and Amakusa. In 1595, he achieved another precedent by becoming the first Japanese to attend the Jesuit college in Macau.

Arrest and Execution

In 1600, the same year that Tokugawa Ieyasu established control of Japan at the Battle of Sekigahara, Sebastian Kimura returned to his homeland from Macau. In September 1601, at the age of 36, he was ordained as a priest.

He was first assigned to Kawachinoura in Hirado. But in 1614, persecution of Christians intensified and many priests were driven out of the country, although a considerable number of faithful continued to worship in secret. On June 29, 1621, Sebastian Kimura was betrayed to the authorities by a female servant who had been brought to Japan as a slave from Korea and who believed that by doing so she would win her freedom. Kimura and other believers were apprehended and ultimately beheaded or burned alive at the hill of Nishizaka in September 1622.

Despite persecution, many Christians remained hidden, secretly worshiping for centuries until they were discovered in March 1865 by the French priest Bernard Petitjean.

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Devoção a São Francisco Xavier em Salvador no fim do século XIX.

 Pesquisa de Arôvel Lima, historiador baiano. Direitos reservados.  
Citação: 
OLIVEIRA, Arôvel Lima. Devoção a São Francisco Xavier em Salvador no fim do século XIX. Acervo pessoal. Disponível em: https://arovelprofessorhistoriador.blogspot.com/. Acesso em --/--/----.

1889

"No dia 10 do corrente (maio), teve logar a procissão, que, por voto do povo, se faz todos os annos, nesta capital, em louvor ao glorioso S. Francisco Xavier, padroeiro da cidade. Ao recolher-se occupou a tribuna sagrada o Rvm. padre mestre Manoel Ferreira dos Santos Cunha." - (grifo nosso)

fonte: Períodico Leituras Religiosas. 1889, 4ª edição.

"Quem se apoia em Deus e sabe que Deus o sustém, não pode ser fraco, por maiores esforços que o inimigo empregue" (Revista Leitura Religiosas, 1899, Bahia).

1899

"Sahiu na sexta-feira em procissão de penitencia a veneranda imagem de São Francisco Xavier da Cathedral para a egreja de N. S. da Piedade, onde ficará esposta a veneração dos fieis, acompanharão a procissão o nosso venerando arcebispo, o cabido, autoridades, dez irmandades, e tres ordens, religiosos dos conventos e uma inorme massa popular, rezando-o ladainha e diversos benditosuma foi cerimonia nunca vista."

Fonte: Períodico Leituras Religiosas. 1899, 13ª edição.

Em 1935, a procissão anualmente realizada em 10 de maio, foi marcada pela gravidade social causada pelas  chuvas torrenciais que atingiram a capital baiana. 

O Imparcial, 10/05/1935
O Imparcial, 11/05/1935




sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Fale com o autor desse blog

 


Quero saber a sua opinião sobre o blog e sobre São Francisco Xavier.

Sou Arôvel Lima, devoto de São Francisco Xavier, grande entusiasta da biografia deste grande santo. Há dez anos, pesquiso a vida de Xavier.

Meu whatsapp: 75 9 9250-5106.

arovellima@gmail.com

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Dois milagres de São Francisco Xavier na Índia: cura do leproso e ressurreição do catequista

 



Cura ao leproso - Visitando o Santo uma aldeia da mesma Costa da Pescaria, encontrou um pobre Paravá coberto de úlceras, falto de tudo, inteiramente nu e sem forças já para suportai a vida. O coração de Xavier comove-se profundamente à vista de tamanha dor e miséria. Ajoelha-se junto do doente, e fala-lhe com a voz entrecortada pelas lágrimas; consola-o com uma ternura paternal; lava as suas chagas, das quais ninguém se atreveria a aproximar-se, tão repugnantes eram elas, e cedendo ao seu ardente desejo de mortificações e de sofrimentos, lembrando-se, além disto, da delicadeza da sua natureza, que outrora chegava ao excesso, bebe, uma parte da água que servira para lavar as chagas do índio!!!... Afasta-se em seguida do lado do doente, que acabava de abraçar com afecto e solícita caridade, e entrega-se à oração.
Alguns instantes depois, levanta-se e volta para junto do doente... O Paravá olha para si, examina os seus membros, palpa-os e abre os grandes olhos... Estava curado! Suas chagas estavam cicatrizadas, seu corpo estava inteiramente limpo e não parecia ter sofrido nunca!

Ressurreição do catequista  
Antônio de Miranda era o catequista do nosso Santo, e por este título lhe era duplamente querido.
Uma noite, foi mordido por uma víbora que lhe causou a morte; o veneno desses répteis é mortal nas Índias. O Santa Padre é chamado; vai imediatamente, mas não vai ocupai-se dos seus funerais; precisa dele para a instrução dos índios, a glória de Deus e a salvação das almas carecem dos seus trabalhos
- "Antônio, diz-lhe o Santo, com voz forte e vibrante, em nome de Jesus Cristo, levantai-vos!"
E Antônio que morrera na noite precedente, levantou-se cheio de vida. As manchas do veneno que o matara desaparecem no mesmo instante. A multidão, presente aquele prodígio, solta gritos de alegria e de admiração ; lança-se aos pés do Santo Padre, chama-o o grande Deus, e ele vê-se obrigado a explicar-lhe que não é mais que o instrumento do grande Deus que reina nos Céus e que o enviou às Índias para se fazei conhecer, fazer-se amar, fazer-se servir por todos que o ouvem, e para bem doutros ainda, aos quais espera levar o seu nome.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Blog de São Francisco Xavier tem 100.000 acessos em menos de 3 anos

O Blog foi criado e é mantido por Arôvel Lima, grande devoto do santo, morador da comunidade de Resina e animador da comunidade (capela) de São Francisco Xavier.


 Ele tem por objetivo propagar a devoção deste grande santo missionário da Igreja Católica que ainda é pouco conhecido no Brasil. É também, uma maneira de facilitar o conhecimento sobre a vida do santo pelos milhares de devotos de comunidades, paróquias e dioceses do Brasil que o tem como padroeiro.

É um trabalho inédito sobre este santo. Em nenhum outro site se encontra vasto conteúdo dedicado exclusivamente a um santo. Nem mesmo os santos mais populares, exceto de Maria SS.
O autor, mostra-se surpreso e grato por tamanha adesão dos leitores, que de forma inimaginável, é muito acessado por todo o mundo.
São mais de 120 países que acessam frequentemente o BLOG. Há internautas de países mais remotos que acessam o Blog na versão de tradução de idiomas disponivel como: Russia, Filipinas, China, India, Japão, (dentre outros na Ásia); Angola, Moçambique,  (Africa), Australia (Oceania) e praticamente todos os países do continente EUROPEU  e AMERICANO.

No Brasil, Já registramos acessos em todos os estados e de cerca de 600 municípios do Brasil com uma frequência de cerca de 05 estados por dia com acesso no BLOG. São, em média 200 visitas por dias.
 O blog dispõe de quase tudo sobre São Francisco Xavier. São 105 páginas e 220 outras publicações exclusivas sobre a história do santo jesuita, padroeiro das missões. Algo inédito.
Dispõe de quase 300 imagens (fotos) sobre a iconografia xaveriana.

Os assuntos principais são: Biografia, Milagres,  Iconografia, Orações e devoções, Hinos,  Frases, Cronologia, palestras, videos, filmes, Relíquias, Livros, Cartas relíquias escritas pelo santo, padroado pelo mundo, etc.
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380
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As publicações do blog são compartilhadas para PÁGINA E GRUPO DE SÃO FRANCISCO XAVIER NO facebook que já tem 21.450 membros que interagem diariamente e compartilham as publicações. Enfim! são milhares de pessoas tendo acesso a informações sobre o TESTEMUNHO DE SANTIDADE do maior missionário da Igreja Católica.

Testemunho do autor Arôvel: "Fico imensamente feliz por contribuir com a missão de São Francisco Xavier para esta continue por todo o tempo, servindo para a  conversão de mais pessoas para Cristo, tal qual foi para mim, em 2011, quando conheci a história deste santo pela leitura disponiveis na internet. A minha mudança foi radical, de católico "frio" para praticante, ativo nas ações pastorais e missionárias da Igreja comunitária, paroquial e Diocesana."

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Compromissos "votos" dos membros da Confraria dos Devotos de São Francisco Xavier



Ao querer fazer parte da Confraria o membro deve comprometer-se a:

1.    Estudar a vida de São Francisco Xavier.  Ou seja, adquirir livros ou ler também via Internet a Biografia e as cartas de São Francisco Xavier,  dentre outros.
2.    Viver a missionariedade, seguindo o exemplo do nosso padroeiro.  Estimula-se que se faça missão nas famílias e comunidades menos evangelizadas.
3.    Ou, se não poder fazer missões na comunidade ou Paróquia, que contribua para outros irem em missão, doando um pequeno valor para as Congregações missionarias, especialmente a Congregação dos Missionários XAVERIANOS (que tem o Carisma do nosso padroeiro);
4.    Rezar constantemente pelas missões Paroquias e Ad Gentes;
5.    Propagar a devoção a São Francisco Xavier,  seja por meio de palestras, peregrinações com a imagem, ou mesmo nas redes sociais, contanto que mais pessoas conheçam o testemunho de santidade de S. Francisco Xavier ;
6.    Formar pequenos grupos na Comunidade ou Paróquia para ESTUDAR e CELEBRAR a vida do Santo, e principalmente realizar a animação missionária com evangelização concreta;
7.    Realizar as práticas devocionais.
*em vermelho: Obrigatório para os membros da Confraria.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Angiró: Primeiro Japonês convertido e batizado por São Francisco Xavier





Ângelo vai contar-nos, ele mesmo, como a divina Providência o levou ao conhecimento do Cristianismo e ao desejo de abraçá-lo.
           
PAULO ÂNGELO, PRIMEIRO CRISTÃO JAPONÊS AOS PADRES E IRMÃOS DA COMPANHIA DE JESUS EM ROMA   

Goa, 27 de Novembro de 1548.

Que a paz e a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo sejam convosco! Amem.
Já que foi do agrado daquele que me criou procurar-me como a ovelha perdida no meio das trevas, para me chamar à luz do seu Evangelho arrancar-me das prisões da morte e dar-me a liberdade e a vida, julgo-me obrigado a recorrer a vós todos para render a sua divina Majestade ações de graças proporcionadas aos grandes favores com que a sua misericórdia infinita se dignou agraciar-me.
Compenetrado e confundido pela minha incapacidade, peço-vos, meus queridíssimos irmãos, que suprais a minha indignidade, e para vos convencer dela, vou expôr-vos aqui os meios extraordinários pelos quais o Pai celeste me conduziu ao grêmio da Igreja do seu Filho único e muito amado.
Estando ainda no Japão, há já alguns anos, e perseguido por inimigos pessoais que conspiravam contra a minha vida, refugiei-me num convento de bonzos.
Um navio português veio ao mesmo tempo fundear no porto, próximo do qual se achava situado aquele convento.
Era precisamente o navio de Álvaro Vez que outrora conhecera, e que se apressou em oferecer-me um asilo a bordo; porém, como os seus negócios o demorariam naquele ancoradouro por muito tempo, para a minha segurança teve a bondade de escrever a um dos seus amigos que estava num porto muito afastado, rogando-lhe que me recebesse.
Munido daquela carta, despedi-me de Álvaro, e parti imediatamente para o porto em que devia encontrar Fernando Álvares, a quem era dirigida a recomendação de que eu era portador. Cheguei ali de noite, e por engano remeti a carta a Jorge Álvares, capitão dum outro navio, que me recebeu com amizade, dizendo-me que me levaria consigo e me apresentaria ao reverendo Padre Francisco Xavier, seu amigo íntimo. Consenti nisso.
Durante a viagem, quer fosse para me familiarizar com a idéia de ver o Padre e inspirar-me de antemão estima e afeição por ele, quer fosse para me dar algumas noções do Cristianismo, Jorge, encaminhava sempre a conversação para Xavier, para as suas virtudes suas grandes ações e efeitos maravilhosos da sua palavra.
Em resultado disso, concebi dois ardentes desejos: o primeiro de conhecer pessoalmente o ilustre e santo personagem, cujas virtudes e encantos me eram exaltados em termos tão magníficos, e o segundo de estudar seriamente uma religião que produz homens tão perfeitos.
Achava-me já tão convencido da verdade daquela religião, que me teria deixado batizar logo que cheguei a Malaca, se o senhor vigário geral não tivesse rosto no meu casamento um obstáculo àquela graça, por isso que não me devia ser permitido, depois de batizado, viver com uma mulher idólatra. Causou-me isso um grande desgosto, mas a este desprazer se acrescentou um outro não menos pungente.

Não desanimar nas dificuldades: tente denovo - Eu viera ver o Padre Xavier e ele achava-se ausente! A porta da Igreja era-me fechada, e aquele que teria podido acalmar e adoçar a minha dor não estava ali!
Desconsolado, desanimado, resolvi voltar para o Japão: a monção era favorável embarquei em um navio que devia deixar-me num porto da China, distante somente duzentas léguas da minha pátria. Cheguei àquele porto e ali encontrei um barco que partia para o Japão; passei para ele, e fazendo-se à vela em seguida, contava tornar a ver o meu país com seis ou sete dias de navegação.
Mas Aquele que governa tudo e que dirige as coisas de modo que fiquem cumpridos os seus desígnios, me levou de novo ao ponto donde tinha partido, por meios que só d'Ele são conhecidos.
A vinte léguas das costas do Japão (= a 120 km), uma tempestade das mais violentas ameaça-nos dos maiores perigos durante quatro dias, e acaba por lançar-nos sobre as costas da China, que havíamos deixado.
O perigo que eu acabava de passar, trouxe-me muito sérias reflexões. Achava-me fatigado, inquieto, ralado de remorsos, quando vejo dirigir-se para mim Álvaro Vaz Foi grande a sua surpresa por me encontrar na China, quando me supunha em Malaca.
Contei-lhe as minhas aventuras, e o perigo pelo qual acabava de passar e de escapar-me; achava-me ainda todo molhado e coberto de espuma do mar. Ofereceu-me de novo o seu navio e convenceu-me a tentar ainda a viagem para Malaca.
Lourenço Botelho uniu-se a ele, e ambos me asseguraram que eu ali encontraria o Padre Francisco Xavier, que ele me consolaria de todos os meus desgostos e sofrimentos, que me instruiria, me batizaria, me poria no seminário de Goa e me faria ir depois para o Japão com os Padres da sua Companhia.
Segui os seus conselhos e voltei com eles a Malaca. A primeira pessoa que vi quando desembarquei, foi Jorge Álvares! Experimentamos grande alegria por nos tornarmos a ver, e no mesmo instante ele me levou à catedral, onde o Padre Xavier abençoava um casamento. Depois da cerimônia, o capitão apresentou-me a ele, dizendo-lhe quem era e por que vinha.
Atento e com os olhos fixos no Padre Xavier, vi o seu amável semblante expandir-se numa grande e santa alegria. Depois voltando-se para mim olhou-me ternamente, falou-me com tanta doçura e testemunhou-me tão grande afeto, que me cativou o coração, e julguei-me muito feliz por ver a minha extrema ternura tão completamente correspondida! Na sua comovedora voz, e na doce expressão, reconheci a divina Providência, admirei o seu poder, e adorei os seus impenetráveis decretos!

Preparação do ateu a evangelizador em terra pagã - O Padre Xavier destinou-me desde logo para o seminário de Goa; mas não permitindo a sua visita aos cristãos de Comorim acompanhar-me, enviou-me antes dele, no navio de Jorge Álvares. Ele seguiu-nos de perto, porque nós chegamos no dia 1 de Março, e ele a 4 ou 5 do mesmo mês [essa data pode ser 20 de março, segundo alguns pesquisadores]. Parecia que os ventos e o mar se combinavam para satisfazer os meus desejos.
Eu suspirava por ele e suspirava ao mesmo tempo pelo batismo, e os meus votos foram bem depressa cumpridos. Ele chegou; a minha instrução concluiu-se no colégio, fui batizado na manhã do Pentecostes, com os dois domésticos que me haviam acompanhado do Japão.
É esta a minha história. Espero que com a graça de Jesus Cristo, Senhor e Criador, de todas as coisas nosso Redentor, que sofreu e morreu na cruz para nos salvar, ela reverta não somente em meu proveito pessoal, mas também em glória de Deus, na propagação da fé e em honra de toda a Igreja.
Quanto a mim julgo-me bem recompensado de todos os meus sofrimentos! Gozo do maior bem que jamais ousava esperar. Cada dia a fé enche a minha alma de nova luz; a verdade e a santidade do Evangelho desenvolvem-se cada vez mais a meus olhos; os benefícios com que tenho sido favorecido, aqueles que constantemente recebo as alegrias, as consolações de que a minha alma se acha cheia, tornam-me palpável, para assim dizer, o que eu não podia entrever.
Parece-me que adquiri uma vida nova, novas faculdades, e, finalmente, que Deus me criou de novo. Aprendo o que me ensinam com uma rapidez que me admira e me confunde. Foi-me necessário tão poucos dias para eu ler e escrever em língua portuguesa, que a aninha inteligência parece um prodígio que me faz espantar.
Decorei textualmente palavra por palavra, toda a explicação do Evangelho de São Mateus que o Padre Cosme de Torres me repetiu por duas vezes, e traduzi-a em língua japonesa.
O Padre Xavier propõe-se ir para o Japão e promete associar-me aos seus trabalhos.
Orai, meus irmãos! rogai a Deus que se digne abençoar-nos. Pedi para mim um reconhecimento, uma gratidão proporcionada aos benefícios que tenho recebido! eles são tão grandes que Deus se verá, para assim dizer, obrigado a dar-me forças para sofrer a morte confessando o seu santo nome, para não me deixar na necessidade de ser ingrato.
O meu coração diz-me que não morrerei sem ter visto no Japão um colégio da vossa Companhia para o progresso da fé e para glória de Deus, pela qual eu sou, meus Padres, vosso servo.
Paulo de Santa-Fé.    
Depois do seu batismo, pedira Paulo Ângelo a Xavier permissão para usar o apelido de Santa-Fé, em memória do colégio onde encontrara a felicidade; autorizado pelo santo apóstolo adotou aquele nome e não o deixou nunca.
Um dos seus domésticos chamou-se João e o outro Antônio; eles imitavam perfeitamente seu amo no fervor da sua piedade e na prática de todas as virtudes cristãs.